06 jan2016 será ano de margens apertadas para o Varejo

Por Dayanne Sousa, d’O Estado de São Paulo

Setor vem sofrendo com alta de custos, mas não consegue aumentar preços por expectativa de vendas mais fracas

As perspectivas não são das melhores para as empresas de varejo em 2016. As margens que já ficaram espremidas no ano passado devem ser ainda mais pressionadas nos próximos meses, em um ambiente de competição por preços agressivo e vendas fracas.

Nem os supermercados, conhecidos por serem mais resistentes a crises, têm escapado dessa lógica. “Quando a venda cai, todo mundo abaixa o preço e isso afeta as margens: a competição tem sido muito mais acirrada”, resumo o presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Pedro Celso. A entidade projeta uma expansão de vendas entre 0,5% e 1% em 2016, uma melhora ainda pouco expressiva ante queda de 1% em termos reais em 2015.

“Há uma relação muito forte do comportamento do consumidor com a inflação e, se ela se mantiver alta, esse comportamento (de priorizar marcas mais baratas) vai se fortalecer”, diz a analista de mercado Paula Valadão.

Esse cenário deve afetar o desempenho do Grupo Pão de Açúcar (GPA). “A despeito dos esforços da companhia de cortar custos e melhorar as vendas, não esperamos que os hipermercados e supermercados da rede sejam capazes de proteger as margens nos níveis atuais devido à intensa competição”, avaliou em relatório Marcel Moares, do Deutsche Bank.

O presidente do GPA, Ronaldo Iabrudi, chegou a reconhecer que o varejo de alimentos do grupo deve sentir pressão na margem bruta. Esse indicador já caiu 0,9 ponto percentual no terceiro trimestre de 2015 ante igual período do ano anterior, ficando em 24%. A companhia espera compensar esse efeito com menos despesas administrativas, uma vez que o número de funcionários foi reduzido.

Em situação ainda mais dura estão os varejistas de eletroeletrônicos. As vendas de smartphones, que vinham sustentando forte ritmo de crescimento em anos anteriores, caiu em 2015, segundo dados da consultoria IDC. Com isso, os estoques subiram na indústria e as promoções se tornaram uma constante. “Vemos muita promoção e preços totalmente fora da realidade, uma queima de estoque que ocorreu ao longo de todo o ano”, afirma Leonardo Munin, analista de pesquisas da IDC Brasil.

Com as perspectivas para vendas ainda fracas, o comércio tem afirmado que não vê espaço para recuperação dos preços em 2016. Na Via Varejo, que pertece ao GPA, a possibilidade de que a margem bruta fique em patamares menores tem sido reconhecida pela empresa. No terceiro trimestre de 2015, essa margem ficou estável, mas desde então a companhia tem adotado uma postura promocional mais agressiva na tentativa de conter a queda nas vendas, que foi de 22% entre julho e setembro ante o ano anterior.

Demissões e fechamentos de loja serviram para enxugar outras despesas e evitar uma degradação ainda maior do balanço.

Cenário competitivo

No Magazine Luiza, a hipótese de fechamento de algumas lojas também existe, disse o presidente da companhia, Frederico Trajano. Já o comportamento da margem bruta, afirmou, “vai depender do cenário competitivo”.

A companhia chegou a expandir a margem bruta no terceiro trimestre deste ano, em 1,1 ponto percentual, mas pode sentir o impacto da estratégia mais agressiva da concorrente Via Varejo. Ainda que o setor não tenha conseguido repassar em 2015 o impacto do dólar aos preços, os valores negociados com fornecedores para os primeiros meses de 2016 se mantêm estáveis, disse o diretor comercial, Fabrício Garcia.

A venda fraca também tem afetado a rentabilidade do setor de vestuário. A necessidade de liquidações é um risco para companhias que chegaram ao final do ano com estoques elevados. Na Riachuelo, a limpeza de estoques antigos deve continuar nos primeiros meses de 2016, informou o diretor financeiro Tulio Queiroz. A remarcação de preços reduziu a margem bruta da operação de varejo ao longo de 2015. No terceiro trimestre de 2015, essa margem na Guararapes, controladora da Riachuelo, caiu 5,6 pontos com o impacto das liquidações, ficando em 48,4%.

A competição se acirrou no setor, segundo os executivos. A Marisa Lojas afirma que as promoções têm sido intensas no mercado. A companhia é especialmente afetada por essa sensibilidade dos consumidores a preço, já que seu público é sobretudo de classe C. “Queremos recuperar o que foi perdido, embora isso seja perigoso num momento em que nosso cliente está com o bolso mais restrito”, disse o diretor administrativo, financeiro e de relações com investidores da companhia, Adalberto Pereira Santos.

Texto extraído de: http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,varejo-espera-margens-mais-apertadas-em-2016,10000006007

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