19 jan2º dia de NRF Big Show: do Visual Merchandising à Cadeia de Suprimentos

Por Daniel Zanco, sócio-diretor da Universo Varejo, diretamente do Retail’s Big Show 2016 em NY

expo stage

A fria manhã de segunda-feira, que deu início ao segundo dia do NRF Big Show 2016, trouxe Matthew Shay – em sua quinta edição como principal executivo da entidade – apresentando seus convincentes resultados obtidos na representação do setor varejista americano. Mais de 100 eventos, 5000 reuniões com congressistas e 60 milhões de acessos ao website foram alguns dos dados apresentados. A entidade segue cumprindo sua missão de brigar pelos varejistas e elevar a bandeira de que este é o maior gerador de empregos na maior economia do planeta.

Em seguida, Kip Tindell apresentou Collin Powel, o General da reserva que foi secretário de estado no governo Bush entre  2001 e 2005, trazendo um discurso bastante nacionalista e que pode servir de inspiração para os brasileiros, citando que o que faz da América uma grande nação é a capacidade de superar obstáculos, não importa quais sejam. A conversa mencionou também pontos essenciais sobre confiança, liderança e a importância da união no cumprimento de metas e objetivos.

A Área da Expo trouxe a apresentação da RSR Retail sobre os desafios da precificação e a crescente sensação de que varejistas precisam cada vez mais reduzir suas margens para competir – sensação sem dúvida compartilhada por brasileiros.

O palco Expo Stage seguiu com uma já tradicional e aguardada apresentação do Retail Design Institute, sobre o circuito de novas lojas em NY. Na introdução, cinco conceitos foram destacados como tendências , apontando que as lojas deverão ser cada vez mais enriquecedoras, personalizáveis, envolvidas socialmente, sensoriais e disruptivas. Ficou evidente que o desafio da diferenciação será cada vez maior.

O painel foi complementado pela apresentação de executivos que trouxeram seus cases: Lowes (grande home center com lojas de bairro), Nixon (empresa californiana de relógios com uma loja de excelente design e forte em customização) e por fim a Microsoft, que inaugurou uma grande flagship possibilitando maior interação das pessoas com seus produtos e da sua equipe com a comunidade local.

Outra tradicional participante da NRF, a consultoria europeia Ebelfort, levou os participantes de sua apresentação por cases muito interessantes em países como Holanda, Inglaterra e Coréia do Sul. Dois cases voltados ao mercado infantil fecharam esse painel, sendo um deles o das iniciativas de visual merchandising e experimentação propostas pela Toys r Us, e outro sobre um negócio novo e disruptivo, proposto por uma empresa chamada Vigga, especializada em roupas infantis orgânicas. Sua proposta é a de um serviço de assinatura de roupas infantis orgânicas que, após o uso e crescimento das crianças, são devolvidos e trocados por outros produtos em novo tamanho. O processo permite que até 7 crianças usem um produto, reduzindo o consumo, a pegada de carbono e a despesa das famílias, que não mais precisam se preocupar em comprar vestuário para os pequenos.

O Brasil foi ao palco, com os cases da Dufry e da Paquetá Sport, que mostraram suas estratégias de treinamento, planejamento de entrega e visual merchandising usadas na Copa do Mundo e que serão também aplicadas nos jogos olímpicos que estão por vir.

Na última Keynote Session do dia, a consultoria Capgemini nos propôs uma nova forma de pensar a cadeia de suprimento colocando o consumidor no centro de todo o processo, sendo atendido por todos os entes dessa cadeia, suportado por tecnologias como cloud, robótica, inteligência artificial e internet das coisas.

Nesse novo e complexo processo, sete princípios foram apresentados como fundamentais:

  • Comunicação Simples
  • Cadeia de Valor
  • Transparência
  • Acesso e controle
  • Diálogo constante
  • Proteção de dados e
  • Integridade nas redes sociais.

Em seguida, o tema foi explorado pela Marks & Spencer, um gigante do varejo inglês, com 132 anos de existência, 1332 lojas pelo mundo e mais de 80.000 funcionários.  O Diretor Executivo e CMO Patrick Bousquet-Chavanne apontou os desafios e caminhos em busca da lealdade do consumidor, que passam pela necessidade de um senso de pertencimento e comunidade, de recompensas relevantes e de consistência no diálogo.

Parte do sucesso da M&S em sua jornada do engajamento se deve ao programa SPARK de relacionamento, uma iniciativa amparada em 5 pilares – relacionamento, engajamento, desfrutar mais, escolher e interagir – e que oferece aos consumidores recompensa pela frequência de compras (não só pelo valor), ofertas customizadas, acesso prioritário a novidades e participação em eventos e experiências.