18 julA bancarização do Varejo

Por Rafael Barros

O favorável cenário que vem sendo observado na economia interna, responsável pelo crescimento do consumo e, consequentemente, os bons resultados do varejo, está desenhando o esboço de um 2010 extremamente aquecido para esse setor da economia.

Enquanto alguns setores ainda lambem as feridas após terem passado por duros ajustes durante a crise, o comércio tem se mantido firme e ainda com viés de crescimento.

O ótimo momento do comércio deve elevar o apetite dos bancos por aumentar sua participação no mercado ou reforçar posições nas parcerias já existentes com as redes, incentivando também a criação de novos produtos financeiros. Esse tipo de parceria entre bancos e varejistas é uma realidade antiga no mercado, que tende a se consolidar e crescer apartir de 2010.

Dentre os recentes casos no mercado nacional, o Banco Itaú Unibanco renovou a parceria de longa data com a rede Magazine Luiza por mais 20 anos, garantindo boa parte da expansão da rede por meio de um aporte de R$ 250 milhões. Além disso, acaba também de renovar seu contrato com o Grupo Pão de Açúcar até 2029.

Após a fusão com a Globex (Rede Ponto Frio) do Grupo Pão de Açúcar, a Casas Bahia deve avaliar seu contrato de longa data com o Bradesco. Essa relação de negócios entre bancos e varejo ficou marcada no passado também na compra do Banco Ibi (C&A) e do Hipercad (rede Bom Preço) pelo Itaú e Unibanco, respectivamente.

Claramente esse tipo de parceria é benéfica a ambas as partes. Com esse modelo, o varejista centraliza seus esforços nas atividades ligadas ao negócio – em linhas gerais, a operação e expansão – deixando o funding por conta de uma grande instituição financeira.

Além disso, os bancos proporcionam grandes aportes de capital para os varejistas, promovendo recursos para expansão e aprimoramento das redes. É um instrumento essencial em tempos de alta competitividade e guerra de preços no comércio.

Sob a ótica da instituição financeira, o negócio é uma oportunidade real de crescimento da base de clientes, aumento da participação de mercado e a oportunidade indireta de bocanhar
um bom pedaço do chamado share of wallet do consumidor (por exemplo, por meio de ações de vendas de cartões).

Essas movimentações de atuação em conjunto no binômio banco-varejo são o indício do movimento que se mostra bem forte daqui pra frente: a bancarização do varejo.

As instituições financeiras devem entrar agressivamente nas redes, de olho principalmente nos sucessivos índices de crescimento do poder de compra das classes mais baixas que puxam o consumo e, em grande parte, demandam o mercado de crédito diretamente no ponto de venda.

De carona no modelo já utilizado pelos grandes varejistas, também existe espaço para os médios e, por que não, até os pequenos varejos. O movimento de bancarização do varejo tem se mostrado agressivo, e nesse cenário a lição de casa é melhorar cada vez mais sua condição de pagamento por meio de modelos robustos de crédito, invariavelmente por meio de acordos com os bancos. A competitividade traz guerra de preços, e neste momento a condição de pagamento pode ser crucial na tomada de decisão do consumidor.

Diante desse quadro, a velocidade na formulação de parcerias e estratégias de expansão – assim como sua implantação – poderá ser crucial na posição de mercado das empresas de varejo. Criar acordo de longo prazo com um banco e desenvolver produtos atrativos de crédito, com impacto no ponto de venda, pode ser o início de uma estratégia de crescimento duradoura e bem sucedida.

Rafael Barros

é especialista e parceiro Universo Varejo.