11 outA bolha do franchising brasileiro

O termo bolha foi utilizado pela primeira vez durante a crise de 29, para representar algo que cresceu rapidamente em valor mas com estrutura frágil, resultado de um crescimento artificial, menor do que as reais possibilidades do mercado.

Já escutei algumas pessoas dizerem que o mercado de franquias, por crescer demais nos últimos anos,  seria uma das novas bolhas do mercado brasileiro. Será?

 

Realmente o crescimento do segmento de franquias tem sido significativamente maior do que o crescimento do PIB brasileiro nos últimos anos, seja no faturamento das unidades, seja na quantidade de novas redes. O que caracterizaria uma bolha, porém, não é o crescimento vigoroso e sim a elevação artificial dos preços e a inconsistência dos negócios. É cedo para afirmar que as taxas de franquia e o investimento nos negócios estão sobrevalorizados, mas o crescimento do número de redes tende a aumentar a disputa entre elas, segurando o valor das taxas iniciais de investimento. É notório também que o mercado dificilmente suportará o surgimento de tantas novas redes e uma consolidação deverá ocorrer em alguns setores. Só em 2010 foram mais de 280 novas redes como opção para quem quer abrir uma franquia. Será que há mercado suficiente para mais de 40 redes de ensino de idiomas? Ou para mais de 50 redes de alimentação? Só o tempo irá dizer. De qualquer forma, há como reduzir as incertezas ao fazer um investimento e alguns fatores devem ser cuidadosamente avaliados por candidatos a franqueados e por franqueadores, dentre eles:

 

 

 

 

GESTÃO

Franquear um negócio não significa apenas ceder produto e marca, significa ceder know-how de operação e gestão da unidade, capacitar franqueados a trabalharem de forma ativa suas regiões e gerirem profissionalmente suas unidades;

 

DIFERENCIAÇÃO

O crescimento do franchising fica evidente no surgimento de “clones” de redes de franquias de sucesso – operações que replicam a arquitetura, mix de produtos e em muitas vezes até a logomarca de redes referência de mercado. Esse movimento é extremamente arriscado quando não há uma proposta clara de diferenciação  e geração de valor para o consumidor final. Ser parecido com uma grande rede, com preço um pouco menor, está longe de ser garantia de sucesso;

 

PLANEJAMENTO

A abertura de uma franquia é em muitas vezes um momento de euforia para franqueadores e franqueados, que freqüentemente são extremamente otimistas em suas previsões de faturamento e no seu planejamento financeiro, o que pode ser fatal e prejudicial para os dois lados. Ainda hoje existem redes que inauguram unidades sem exigir capital de giro dos franqueados. Os custos fixos, sobretudo de ocupação, cresceram mais do que a inflação nos últimos anos e devem ser analisados com extremo rigor. Pé no chão é obrigação dos franqueadores e é saudável para os franqueados;

 

EXPANSÃO

muitos franqueadores ainda enxergam a taxa de franquia como importante fonte de receita no seu negócio e por conta disso, imprimem um processo de expansão com visão de curto prazo e ausência de critérios, tanto na seleção do franqueado quanto na seleção da cidade/ponto onde implantarão novas unidades. Esse movimento causa inúmeros problemas num curto prazo para a franqueadora, que se depara com unidades deficitárias e franqueados descontentes. Crescer é fundamental para as redes gerarem economia de escopo e de escala, mas esse crescimento precisa ser consciente e planejado;

 

ESTRUTURA DA FRANQUEADORA – sistemas de gestão, equipe de consultoria de campo,  estrutura de treinamentos e foco em indicadores de performance são alguns dos elementos que compõem as redes de sucesso e as diferenciam de redes aventureiras. O franqueado precisa avaliar a fundo a capacidade da franqueadora competir nesse mercado cada vez mais agressivo e disputado.

 

Por fim, concluo que o sistema de franquias brasileiro não é uma bolha. Seu forte crescimento é retrato do desenvolvimento econômico brasileiro, do amadurecimento do setor e do entendimento por parte de empreendedores que o risco de investir numa franquia geralmente é menor do que o de um vôo solo. Há porém, de se observar de perto, a estrutura das inúmeras redes que surgem a cada dia, separando aquelas que realmente possuem um negócio formatado a ser replicado daquelas que apenas querem seguir modismos e tirar proveito do excelente momento vivido pelo franchising e do otimismo dos empreendedores.

 

Pense nisso e boas vendas.

 

Daniel Zanco