31 marA profissionalização no varejo de moda

Escrito por Daniel Zanco, sócio-diretor da Universo Varejo

varejo moda

Os movimentos recentes de varejistas tendo parte do seu capital adquirido por grandes fundos de investimento e outros abrindo capital, nos levam a refletir sobre o momento do varejo de moda brasileiro. Será que nossas empresas varejistas estão preparadas para tornarem-se empresas de mercado? A verdade é que a grande maioria ainda não está.

A cadeia de moda brasileira ainda precisa passar por um processo de profissionalização, e tanto a venda de parte do capital para grandes fundos internacionais quanto a abertura de capital são estratégias possíveis apenas para um pequeno grupo de empresas que fizeram a sua lição de casa mais rápido, como foi o caso da Arezzo.

Pode-se identificar algumas etapas nessa profissionalização das empresas varejistas de moda:

Formalização – Parece óbvio mas nem tanto. A cadeia produtiva do varejo, desde fornecedores de matéria-prima, fornecedores de mão de obra, representantes comerciais e as próprias empresas ainda precisam caminhar muito neste sentido. E caminharão, por vontade própria ou forçados pelos movimentos de controle do fisco, como nota fiscal eletrônica, nota fiscal paulista, SPED entre outros controles.

Informatização – tanto no âmbito administrativo quanto no âmbito gerencial e de processos, as empresas brasileiras de moda precisam investir mais em tecnologia. Essa tecnologia está disponível, mas ainda não faz parte da realidade de muitas organizações que não conseguem avaliar os benefícios deste tipo de investimento e preferem lidar com um over head para suportar diversos  dos seus processos. Não é raro ver empresas que possuem sócios ou funcionários usando análises predominantemente subjetivas para definir, por exemplo, ações de compra ou ressuprimento para redes de lojas.  A análise sistematizada do comportamento de compra dos consumidores também é usualmente negligenciada, caracterizando o desperdício de enorme oportunidade de ganhos.

Gestão – é normal no varejo de moda a figura do sócio-fundador centralizador, onipotente e onipresente. Essa figura precisará aprender a dividir a gestão com profissionais capacitados, sem que a empresa perca suas características principais, seu DNA e sua capacidade criativa. Não é admissível que os processos e a capacidade de realização de uma empresa estejam concentrados em uma única pessoa. A organização precisa se enquadrar em modernas e profissionais práticas de gestão se quiser crescer e competir num mercado cada vez mais disputado.

Globalização – já dizia Thomas Friedman: “O mundo é plano”. E está ficando cada vez mais plano e menor. Nos próximos anos tornar-se-á impossível buscar novos fornecedores sem avaliar as possibilidades fora das fronteiras nacionais. A China será cada vez mais a “fábrica do mundo” e o varejista que não perceber isso, será engolido por seus concorrentes. Por outro lado, desenhar projetos de expansão que olhem somente para o Brasil pode representar perdas importantes de oportunidades. Apesar de esforços como o da Associação Brasileira de Franchising, o varejo é um dos segmentos da economia brasileira que menos se aventura no mercado internacional, potencialmente porque ainda não evoluiu nos três tópicos anteriores.

Concluímos, então, que as empresas varejistas de moda que quiserem captar recursos para crescer por meio da oferta pública de ações precisam investir muito na sua profissionalização e de toda a cadeia produtiva. O aumento da competição no setor reforça essa necessidade, com as grandes redes de magazines – muito mais maduras profissionalmente – agregando experiência de compra e valor às marcas (associando sua imagem à de estilistas renomados e personalidades do mundo fashion) e com os supermercados (isso mesmo) entrando nessa categortia com cada vez mais força (claro que ainda precisam melhorar muito). As cartas estão dadas e o surgimento de “novas Arezzos” depende da attitude do empresário brasileiro.

Pense nisso e boas vendas!