19 marA profissionalização do varejo de moda

A recente abertura do capital da Arezzo levanta uma discussão sobre o futuro das empresas de moda brasileiras. Será que mais empresas partirão para esse caminho? A resposta é – ainda não.

O cadeia de moda brasileira ainda precisa passar por um processo de profissionalização e tanto a venda de parte do capital para grandes fundos internacionais quanto a abertura de capital são estratégias possíveis apenas para um pequeno grupo de empresas que fizeram a sua lição de casa mais rápido, como foi o caso da Arezzo.

Pode-se indentificar algumas etapas nessa profissionalização das empresas varejistas de moda:

Formalização – Parece óbvio mas nem tanto. A cadeia produtiva do varejo, desde fornecedores de matéria prima, fornecedores de mão de obra, representantes comerciais e as próprias empresas ainda precisam caminhar muito neste sentido. E caminharão, por vontade própria ou forçados pelos movimentos de controle do fisco, como nota fiscal eletrônica, nota fiscal paulista, SPED entre outros controles.

Informatização – tanto no âmbito administrativo, quanto no âmbito gerencial e de processos as empresas brasileiras de moda precisam investir mais em tecnologia. Essa tecnologia está disponível, mas ainda não faz parte da realidade de muitas empresas que não conseguem avaliar os benefícios deste tipo de investimento e preferem lidar com um over head para suportar diversos  dos seus processos. Não é raro ver empresas que possuem sócios ou funcionários usando análises predominantemente subjetivas para definir, por exemplo, ações de compra ou ressuprimento para redes de lojas.  A análise sistematizada do comportamento de compra dos consumidores também é usualmente negligenciada, caracterizando uma enorme oportunidade de ganhos desperdiçada.

Gestão – é normal no varejo de moda a figura do sócio-fundador centralizador, onipotente e onipresente. Essa figura precisará aprender a dividir a gestão com profissionais capacitados, sem que a empresa perca suas características principais, seu DNA e sua capacidade criativa. Não é admissível que os processos e a capacidade de realização de uma empresa estejam concentrados em uma única pessoa. A organização precisa enquadrar-se em modernas e profissionais práticas de gestão se quiser crescer e competir num mercado cada vez mais disputado.

Globalização – já dizia Thomas Friedman – o mundo é plano. E está ficando cada vez mais plano e menor. Nos próximos anos tornar-se-á impossível buscar novos fornecedores sem avaliar as possibilidades fora das fronteiras nacionais. A China será cada vez mais a “fábrica do mundo” e o varejista que não perceber isso, será engolido por seus concorrentes. Por outro lado, desenhar projetos de expansão que olhem somente para o Brasil pode representar perdas importantes de oportunidades. Apesar de de esforços como o da Associação Brasileira de Franchising, a varejo é dos segmentos da economia brasileira que menos se aventura no mercado internacional, potencialmente porque ainda não evoluiu nos três tópicos anteriores.

Concluímos então, que as empresas varejistas de moda que quiserem captar recursos para crescer por meio da oferta pública de ações precisam investir muito na sua profissionalização e de toda a cadeia produtiva. Reforça essa necessidade o aumento da competição no setor, com as grandes redes de magazines – muito mais maduras profissionalmente – agregando experiência de compra e valor às marcas (associando sua imagem à de estilistas de renome e personalidades do mundo fashion) e com os supermercados (isso mesmo) entrando nessa categortia com cada vez mais força (claro que ainda precisam melhorar muito). As cartas estão dadas e o surgimento de “novas Arezzos” depende da attitude do empresário brasileiro. Pense nisso e boas vendas !

Daniel Zanco é especialista em Varejo e Franchising, sócio diretor da Universo Varejo Consultoria – www.universovarejo.com.br