18 marÁgua de Cheiro deve virar loja multimarca

Escrito por Fernando Scheller, d’O Estado de São Paulo

Rede de cosméticos, que passa por dificuldades, será reformulada depois de fechar negócio com a Brasil Beauté, que reúne investidores estrangeiros

A rede de perfumaria Água de Cheiro mudou de dono pela segunda vez em pouco mais de três anos. Conhecido no mercado por ter fundado, aos 20 anos, a construtora Tenda, o empresário Henrique Alves Pinto vendeu nesta semana o controle da empresa para a Brasil Beauté, que reúne investidores estrangeiros com experiência no mercado de perfumaria. A ordem é mudar a orientação do negócio, que deverá se transformar numa rede de beleza multimarca voltada à classe C.

Desde 2009, quando Alves Pinto entrou no negócio, a Água de Cheiro empreendeu uma expansão ousada. O número de franqueados passou de 260 para cerca de 850, as embalagens foram modificadas e garotas-propaganda como Sabrina Sato e Deborah Secco, contratadas. O problema, porém, é que a marca não conseguiu, na opinião de especialistas, sedimentar a mudança na cabeça do consumidor. “Eu, no lugar deles (investidores), criaria até uma nova marca”, diz uma fonte do setor de cosméticos que pediu para não ser identificada. O principal ativo da Água de Cheiro, na visão de um consultor na área de franquias, são os pontos de venda.

Segundo informações de mercado, a venda da Água de Cheiro saiu barato. Isso porque as lojas têm um giro fraco – o equivalente a menos de um quarto da receita de uma unidade da rede O Boticário – e as dificuldades da empresa chegaram a um ponto que os fornecedores ficaram sem receber por até seis meses. Ao contrário do que ocorre com as líderes no mercado nacional de cosméticos – Natura, Avon e O Boticário -, a Água de Cheiro não tem fábrica própria e terceiriza toda a sua produção. Diante dos atrasos, contam fornecedores, a empresa chegou a enfrentar desabastecimento em suas lojas durante datas comemorativas.

Em carta enviada aos franqueados da marca nesta semana, Alves Pinto prometeu a chegada de uma nova era. Disse que a logomarca e o modelo das lojas serão modificados. Ele disse que a mudança para o sistema multimarca será opcional e também prometeu que a entrega dos produtos Água de Cheiro aos parceiros será regularizada.

Os franqueados, dizem fontes, respiram aliviados. A empresa tentava achar um sócio há mais de um ano. O BTG não encontrou compradores, mas Joe Lago, da Incorp Participações, trouxe executivos experientes no setor que acreditaram ser capazes de “virar” o negócio. Entre eles estão o ex-presidente mundial da Revlon, Paul Block; o ex-presidente da LVMH na América do Norte, Renaud Dutreil; e a ex-líder de desenvolvimento de produtos da Estée Lauder, Elizabeth Schmalz.

Texto extraído de http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,agua-de-cheiro-deve-virar-loja-multimarca-,1009492,0.htm