08 junBrasil cai no ranking de países emergentes com varejo mais atraente

Escrito por Márcia de Chiara, d’O Estado de São Paulo

economia brasileira

O desânimo da economia brasileira levou, pelo segundo ano seguido, o Brasil a perder posições no ranking de 30 mercados em desenvolvimento com maior potencial para atrair investimentos estrangeiros para o varejo.

No ranking, elaborado pela consultoria americana A.T. Kearney, o País ficou neste ano no 8º lugar entre os mercados mais atraentes, três posições abaixo da lista de 2014. A perda de atividade do varejo brasileiro em relação a outros emergentes ocorre depois de o Brasil ter liderado entre 2011 e 2013, esse ranking, que agora tem a China no topo. O Brasil que já foi o “queridinho” entre os mercados de consumo emergentes está hoje atrás de países com o Qatar,  Mongólia e Geórgia.

“Lamentavelmente o Brasil perdeu atratividade entre os emergentes, mas esse resultado não foi uma surpresa”, afirma Esteban Bowles, sócio da Prática de Bens de Consumo e Varejo da consultoria.

Ele atribui o fraco desempenho do País a fatores conjunturais que afetaram o ritmo da economia. Na sexta-feira, o IBGE divulgou que o PIB do primeiro trimestre caiu 0,2% em relação ao trimestre anterior, que encolheu 1, 5% nas mesmas bases de comparação.

Para elaborar o ranking, a consultoria avaliou 25 variáveis de cada país, reunidas em quatro grupos: atratividade do mercado, risco econômico e político, saturação do mercado e em quanto tempo novos players estarão presentes na região. O consultor diz que o Brasil teve desempenho ruim nos dois primeiros grupos de variáveis analisadas, mas conseguiu obter um resultado favorável em relação à saturaçaõ dos mercados e à baixa presença de players internacionais na região.

“O tamanho do mercado brasileiro continua sendo um fator importante de atração de investidores”, diz Bowles. Nas contas da consultoria, o varejo brasileiro movimentou em 2014 US$800 bilhões, uma cifra significativa, apesar do esfriamento da economia. O consultor ressalta que setores de beleza, alimentação e material de construção continuam chamando a atenção de investidores.

Enquanto as turbulências no cenário macroeconômico fizeram o Brasil perder posições no ranking, na prática, a valorização do dólar em relação ao real funcionou como um chamariz para os investidores internacionais interessados em comprar ativos mais baratos em moeda estrangeira. É que eles estão de olho no potencial de consumo do mercado a médio prazo. Bowles conta que, nos últimos meses, tem recebido consultas de interessados em empresas do segmento de bens duráveis e alimentos.

China

Uma das novidades de 2015 foi a volta, após cinco anos, da China ao topo do ranking, posição que era ocupada em 2014 pelo Chile. Apesar do menor crescimento do gigante asiático, que registrou expansão de 7,4% em 2014, a taxa mais baixa em 25 anos, o varejo avançou 11,6%. A consultoria projeta que a China ultrapasse os EUA e se torne o maior mercado varejista do mundo em três anos.

Texto extraído de: http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,brasil-cai-na-lista-dos-emergentes-com-varejo-mais-atraente,1697843