17 junBrasil é o 5º colocado em ranking mundial para investimentos no varejo

Escrito por Carla Araújo, da Agência Estado

Quando passou a integrar a lista, em 2005, País ocupava a 29ª posição

Quando passou a integrar a lista, em 2005, País ocupava a 29ª posição

Depois de três anos consecutivos no topo da lista entre 30 países em desenvolvimento de ambiente mais propício para receber investimentos de redes globais de varejo, o Brasil caiu para a 5ª colocação e viu Chile, China, Uruguai e Emirados Árabes Unidos passarem à frente como locais mais indicados para atrair negócios no setor.

O rebaixamento do Brasil no Índice de Desenvolvimento do Varejo Global (GRDI, na sigla em inglês), elaborado pela consultoria A.T. Kearney, se deve principalmente pelas incertezas políticas e pelo desempenho econômico aquém do esperado, avalia o diretor da A.T. Kearney, Pietro Gandolfi.

“O índice mede, por exemplo, quanto um país consegue manter a sua aceleração econômica dentro de um panorama esperado e as expectativas em relação ao Brasil não estão se concretizando por conta de uma política econômica de um governo”, afirma. Gandolfi pondera que o índice não reflete a capacidade de receber investimentos em volume e sim o ambiente propício para tal. “É óbvio que o Brasil tem uma capacidade de volume muito maior que o Chile e o Uruguai, por exemplo.”

O clima menos atrativo para investimentos de varejistas globais no Brasil pode manter sua trajetória de queda, já que o setor tem tido um desempenho ruim. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as vendas do comércio varejista caíram 0,4% na passagem de março para abril, e os números, segundo analistas, ampliam o risco de o País registrar Produto Interno Bruto (PIB) negativo no segundo trimestre.

Embora o crescimento do PIB tenha aumentado (2,3% em 2013, em comparação com 1% em 2012), o crescimento das vendas de varejo caiu mais da metade, para 4,3%, enquanto a inflação crescente minou o aumento dos salários reais e o endividamento das famílias aumentou”, afirma Esteban Bowles, sócio da A.T. Kearney, especialista em prática de bens de consumo e varejo, em nota distribuída pela empresa.

Apesar disso, Bowles afirma que as empresas nacionais e internacionais do mercado brasileiro continuam em expansão, com planos de abertura de lojas físicas e também no canal de e-commerce nos próximos anos, confirmando, assim, que ainda “há uma alta atratividade do mercado de varejo brasileiro”. Bowles também destaca como os nichos de mercado ainda estão atraindo investimentos, uma vez que “a marca de moda rápida Forever 21 abriu sete lojas para concorrer com outras marcas internacionais, como GAP, Topshop e Zara”.

Quando passou a integrar o ranking, em 2005, o Brasil ocupava a 29ª posição. Nos anos seguintes, o país foi evoluindo gradativamente até chegar ao primeiro lugar, em 2011. A colocação foi repetida em 2012 e no ano passado, até que em 2014 o Brasil passou a figurar na quinta posição.

A América Latina possui oito países no ranking (Chile, Uruguai, Brasil, Peru, Panamá, Colômbia, Costa Rica e México) e, destaca o executivo, continua mostrando sua força como um mercado de varejo regional em crescimento. “O ambiente no Chile, a facilidade para fazer negócios e regras simples para abrir empresas tornam o país ‘amigo’ dos investimentos”, diz.

No caso do Uruguai, Gandolfi diz que a área da zona franca e os baixos preços dos produtos fazem do país “uma pequena pedra preciosa”. “Apesar de ser um país muito pequeno, o Uruguai se destaca neste cenário, com uma situação tributária que atrai muito os investidores”, reforça.

A versão 2014 do ranking GRDI mostrou também um crescimento importante de países da África Subsaariana, como Nigéria (19º lugar), Botsuana (26º) e Namíbia (29º). “Com o crescimento do PIB de 5%, aumento da renda familiar, urbanização rápida e uma classe média em crescimento, a África Subsaariana é uma região com enorme potencial para os varejistas”, diz, em nota, Mike Moriarty, sócio da A.T. Kearney e coautor do GRDI.

Gandolfi destaca que a entrada desses países da África Subsaariana mostra que as empresas internacionais do varejo estão olhando para a região. “Nos próximos 5 ou 10 anos essa região será a próxima onda de investimento. Esses países têm uma estrutura econômica e social atrativa para o capital”, explicou.

Texto extraído de: http://blogs.estadao.com.br/radar-economico/2014/06/16/ex-lider-brasil-e-5o-colocado-em-ranking-mundial-para-investimentos-no-varejo/