11 junBrasil é o país emergente mais atraente para investimentos no varejo

Escrito por Marcos Prates, da Exame.com

Imagem do Shopping Recife: a inauguração de mais de 40 empreendimentos nos próximos anos deve impulsionar o mercado varejista e já atrai atenção de empresas internacionais

Pelo segundo ano consecutivo, a consultoria A.T. Kearney elegeu o Brasil como o país emergente mais atraente para investimentos no varejo. O Global Retail Development Index tem como principal função orientar empresas internacionais que queiram iniciar operações em outros países para fugir do saturado mercado de nações desenvolvidas. Mas serve também para orientar empresas locais que estejam pensando em crescer ou exportar.

O índice mede 25 variáveis em quatro áreas: o chamado risco-país (estabilidade política e econômica); a atratividade de mercado (potencial de varejo em vendas per capita, tamanho da população urbana), saturação (ou seja, se já há muita competição de companhias internacionais) e o que a consultoria chama de “time push” (quão rápido está crescendo o mercado e o quão urgente é investir nele para nào perder o melhor momento).

“A economia do Brasil está estável, o PIB cresce de maneira importante, assim como a contribuição das classes C e D. É um momento importante também porque, comparando com mercados desenvolvidos, ainda não se tem um grande número de varejistas internacionais”, afirma Esteban Bowles, sócio da A.T. Kearney e líder da prática de Varejo e Bens de Consumo na América Latina.

Segundo a consultoria, o Brasil continua promissor porque 40 shoppings novos – que totalizam mais de um milhão de metros quadrados – estão previstos para serem inaugurados nos próximos anos. Além disso, a receita do varejo tem crescido a uma taxa anual de 10 a 15% nos últimos quatro anos, com os gastos com consumo aumentando 9% desde 2007. Em 2011, 70% do consumo das famílias foi direcionado ao varejo.

A companhia chilena de supermercados Cencosud, a grife britânica de luxo Burberry, a francesa Sephora e o Walmart são exemplos de empresas que ampliaram consideravelmente o número de lojas ou deram início a operações em território nacional nos últimos dois anos.

A expectativa é que o Brasil continue em posição favorável no ranking nos próximos anos, embora economistas venham questionando o modelo adotado pelo governo de estímulo ao consumo como principal impulsionador do PIB.

”O crescimento do varejo tende a ficar nos dois dígitos ainda por algum tempo porque a renda das classes C, D e E continua crescendo”, afirma o economista chefe da Austin Rating, Alex Agostini.

“São 34 trimestres consecutivos de crescimento contínuo do consumo das famílias. O crédito nos últimos 10 anos cresceu 600%, mas a inadimplência neste período ficou praticamente estável. Isso significa que a gente ainda tem espaço para aumentar o endividamento sem comprometer qualquer estabilidade na parte do varejo”, acredita o economista da Austin Rating.

A lista da A.T Kearney mostra que América Latina e os BRICs continuam sendo a bola da vez. O Chile aparece em segundo lugar, seguido por China, Uruguai e Índia nas cinco primeiras colocações.

A China, que já esteve em primeiro em 2010, foi para sexto no ano passado e agora subiu para terceiro. Segundo a A.T. Kearney, a variação ocorreu porque a posição de um país depende em grande parte do desempenho dos demais. Na China, o mercado varejista é mais saturado que o Brasil.

Texto extraído de http://exame.abril.com.br/economia/noticias/nao-ha-emergente-melhor-que-o-brasil-para-o-varejo-diz-a-t-kearney?page=2&slug_name=nao-ha-emergente-melhor-que-o-brasil-para-o-varejo-diz-a-t-kearney