12 maioBrasileiro evita comprar itens caros em sites estrangeiros

Escrito por Ingrid Fagundez, da Folha de São Paulo

econsumidor

O brasileiro compra poucos produtos de maior valor, como notebooks, em sites estrangeiros.

De 2012 a 2013, o número de remessas postais vindas do exterior cresceu 44%, de 14.4 milhões para 20.8 milhões, segundo a Receita.

Desses itens, boa parte é formada por roupas, acessórios e novidades do setor de informática e eletrônicos, atrativos por custar menos do que no Brasil.

Na hora de trocar o computador ou o celular, no entanto, o consumidor ainda prefere os sites nacionais.

Segundo dados da consultoria E-bit, o valor médio das compras feitas no e-commerce estrangeiro no ano passado foi de R$219 – 33% menos que os R$327 gastos por aqui.

No mesmo período, as compras de brasileiros em sites do exterior somaram R$5 bilhões – e R$28,8 bilhões nos nacionais.

Entre os fatores que colaboram para esse hábito, estão a demora na entrega de produtos comprados fora do país, as poucas informações sobre sua origem e a falta de garantias.

“Há um medo de adquirir itens caros porque não se sabe se têm qualidade. Você não tem para quem reclamar, não há Procon nesses casos”, diz a vice-presidente da Abcomm (associação nacional do setor), Solange Oliveira.

Para ela, os grandes atrativos dos sites estrangeiros, sobretudo dos chineses, são os preços (72% dos consumidores consultados pela E-bit citaram esse motivo) e a variedade de eletrônicos.

O estudante de publicidade Carlos Eduardo Alves, 25, é um dos entusiastas das novidades. Desde 2012, ele gastou mais de US$1.000 (R$2.218 na cotação atual).

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Carlos Eduardo Alves já gastou mais de US$1.000 em sites de e-commerce estrangeiros.

Frequentador assíduo do DealExtreme, um dos endereços mais conhecidos, sua lista de aquisições passa por um par de óculos-TV e seis caixas de som portáteis – das quais cinco quebraram no primeiro uso.

Em seu acesso mais recente, levou um projetor de filmes por US$70 (R$155). No Brasil, o preço mínimo ficaria em torno de R$1.300.

“Jamais compraria um notebook assim. Não vale a pena pelo risco que se corre”, afirma o estudante, que comprou o computador no e-commerce brasileiro.

Alves diz que, como os preços são baixos, não se incomoda muito quando o produto não chega. “Recebo encomendas que nem lembrava que tinha comprado”.

Preocupações

O presidente da E-bit, Pedro Guasti, diz que a alta do e-commerce estrangeiro ainda não preocupa o setor.

“De certa forma, tem impacto aqui, principalmente se são os mesmos produtos. Mas no caso das roupas, por exemplo, o consumidor quer algo melhor, com marca”.

Para Oliveira, da Abcomm, a apreensão com o crescimento de sites como o chinês AliExpress deve surgir logo.

Ela diz que o Alibaba, dono do site, ampliou o foco no Brasil. O AliExpress passou a oferecer pagamento por boleto bancário, popular no país, e já tem a maioria das seções em português.

Procurados, DealExtreme e Alibaba não responderam até a conclusão da edição.

Texto extraído de: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/05/1452891-brasileiro-evita-item-caro-em-sites-de-fora.shtml