28 julBrasileiros viajam menos ao exterior e outlets locais tem aumento nas vendas

Por Kátia Simões, do Valor Econômico

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Os brasileiros gastaram em viagens um total de US$17,36 bilhões em 2015, o valor mais baixo desde 20120, quando os gastos haviam sido de US$15,97 bilhões. O resultado representa uma queda de 32% em relação a 2014, de acordo com o Banco Central. Se para o turismo os números não foram de comemoração, para os outlets brasileiros a queda no volume de viagens ao exterior, a alta do dólar e a recessão, ao contrário, serviram como molas propulsoras para o aumento das vendas e de público. Os shoppings de desconto nacionais venderam 20% a mais em 2015, alcançando um areceita de R$2,7 bilhões, segundo a Agência Brasileira de Outlets. No primeiro trimestre de 2016 em relação ao mesmo período de 2015, o volume de vendas subiu 10%.

“Os ventos estão positivos, mas o setor também fez a lição de casa”, afirma Eduardo Terra, presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo. “Ao contrário da década de 90, quando surgiram os primeiros outlets no país, as marcas entenderam a dinâmica de funcionamento desses centros de compra”. Embora ainda tenha quem insista em não destinar para esses shoppings o excedente da produção a preços muito atraentes, a maioria já o faz. Além disso, diferentemente de um passado recente, os outlets abriram as portas distantes dos centros comerciais, com infraestrutura adequada e custos mais baixos de operação, como manda a cartilha.

Na prática, os outlets têm de ter arquitetura funcional, não devem ser muito grandes, reunir marcas conhecidas, que operem em um ambiente de loja mais enxuto, com custos mais baixos. O ideal é que não gastem mais do que 10% do faturamento com aluguel, condomínio e fundo de promoção e pratiquem preços entre 30% e 80% mais baixos do que em suas lojas convencionais. “As marcas devem vender nesses espaços entre 5% e 10% do seu faturamento, escoar a produção que sobrou depois das liquidações”, afirma Manuel Puiz, da Cushman & Wakefield. “Trata-se de um formato restrito, que exige um volume grande de consumidores, daí ser instalado próximo a cidades com mais de 1,5 milhão de habitantes”.

No total, são dez outlets em operação no país e a expectativa é que, até 2018, outros nove abram as portas. Considerado um divisor de águas na segunda fase dos outlets nacionais, o Outlet Premium São Paulo, localizado em Itupeva, provou ao mercado que era possível instalar um mal com essas características no Brasil. “Ao reunir marcas como Nike, Calvin Klein e Lacoste em um único endereço, conseguimos mostrar ao consumidor que era possível encontrar produtos de qualidade com até 80% de descontos o ano todo”, diz Alexandre Dias, diretor presidente da General Shopping Brasil.

A receita deu tão certo, que a empresa já soma quatro Outlets Premium distribuídos por São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Salvador; responde por 50% do mercado em número de outlets no país e por cerca de 63% da Área Bruta Locável (ABL), segundo o Conselho Mundial de Shopping Centers. A expectativa é que este ano passem por suas 400 lojas nada menos do que 20 milhões de pessoas, o equivalente a 70% do volume de clientes de todo o mercado, segundo Dias. Embalada pelo sucesso dos empreendimentos, a General Shopping Brasil espera fechar 2017 com três novas unidades em operação.

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