24 novCEO da Livraria Cultura afirma que Amazon não encontrará facilidade no mercado editorial brasileiro

Escrito por Thais Fascina, da Folha de São Paulo

(Sérgio Herz, CEO da Livraria Cultura)

(Sérgio Herz, CEO da Livraria Cultura)

Para Sérgio Herz, CEO da Livraria Cultura, a competição com a Amazon começou em 1994, ano de criação da empresa americana, e o início da venda de livros físicos no Brasil, há três meses, somente colocou a concorrência no mesmo patamar.

“Eu quero a Amazon no Brasil. Agora eles vão ter que lidar com o mercado editorial brasileiro, como nós lidamos todos os dias, sem nenhuma facilidade”.

Segundo ele, a Amazon chegou com uma política de preço extremamente agressiva e trabalhando até com margens negativas de lucro, mas a guerra entre os varejistas já é antiga.

“A Livraria Cultura trabalha com preços diferentes nas lojas físicas e no site. Isso é uma consequência da nossa estratégia e de inteligência de preço. Nós avaliamos valores (em outros sites) e o perfil dos consumidores.”

A grande questão é: qual é o tamanho ideal do mundo físico que vai conviver com o mundo online?

“Eu não tenho dúvida que (no Brasil) o mundo físico está exagerado. Por exemplo, do shopping Morumbi ao shopping Villa Lobos existem sete centros comerciais, sendo que o oitavo está sendo construído”.

De acordo com Sérgio, o modelo que o país ainda repete não se sustenta mais. “Hoje o varejista não precisa mais desse investimento. Porém, esses dois mundos vão sempre conviver. As lojas não vão deixar de existir e o comércio eletrônico vai crescer cada vez mais”.

A lição de casa é saber que o interesse que leva uma pessoa até a loja física hoje é outro – e pode não passar pela venda de livros.

“Nas unidades que temos hoje, as pessoas vão passear, ver gente, tomar café, conversar. Nós estamos tentando atrair o público com outras estruturas porque partimos do princípio que cada vez mais as lojas físicas são dispensáveis”.

O ambiente tem que ser interessante. De acordo com Sérgio, uma loja do varejo representa a disputa pela atenção e tempo do cliente, já que a venda de livros está no alcance de qualquer um no celular, tablet ou computador. E com preços melhores.

Desde o ano passado, o maior lucro da Livraria Cultura vem do comércio eletrônico – que também é o setor que mais cresce.

Texto extraído de: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/11/1551801-eu-quero-a-amazon-no-brasil-diz-ceo-da-livraria-cultura.shtml