02 janConfira 5 tendências de consumo para 2017

Abaixo, você vai encontrar uma série de inovações que estão redefinindo as expectativas dos consumidores. Estas inovações – e as 5 grandes tendências de consumo que elas representam – mostram uma prévia do que seus consumidores vão querer posteriormente.

Entender estas tendências o ajuda a estar sempre à frente das expectativas, e o conduz a grandes oportunidades de inovação.

Economia de Experiência Virtual

O novo símbolo de 2017: experiências digitais

Em 2017, a Experiência de Economia vai ganhar uma nova dimensão: a Experiência de Economia Virtual.

O tecnólogo Kevin Kelly tem observado que tecnologias de AR (Realidade Aumentada), MR (Realidade Misturada) e VR (Realidade Virtual) anunciam uma mudança fundamental: de uma internet onde a informação é a unidade básica, para uma onde a experiência é esta unidade.

Nós não discordamos. Mas acrescentamos que experiências digitais vão começar a ser tão importantes quanto as experiências reais. E sim, sabemos que a maioria dos executivos ainda considera experiências digitais como mais divertidas do que essenciais.

Por quê? Bem, status ainda é algo definido por abundância e escassez. Num mundo de consumo de abundância material, as experiências que as pessoas escolhem formam uma parte importantíssima da identidade delas. Enquanto as experiências físicas limitadas e difíceis de acessar tornam-se ainda mais relevância.

A Experiência de Economia Virtual vai destruir boa parte desta lógica: num mundo virtual verdadeiramente infinito e ilimitado as usuais limitações físicas de custo, acessibilidade e capacidade pessoal não serão mais aplicadas às experiências, fazendo com que a única escassez seja o tempo do consumidor.

Como resultado, as experiências que cada um escolher irão definir ainda mais quem somos, mais do que nas décadas passadas da Economia de Experiência. E este é um status que poucos consumidores vão se negar a aceitar.

Exemplos de inovação

ABBA: Banda anuncia turnê de experiência virtual em 2018

Se Economia de Experiência pode ser capturada numa única estatística, é esta: de 1981 a 2012, o preço médio de ingressos para shows cresceu em torno de 400%.

O que torna ainda mais intrigante o recente anúncio feito pela banda ABBA (que, ao contrário de muitas bandas, tem recusado voltar à turnê, tendo tocado juntos apenas uma vez nos últimos 30 anos). Em outubro de 2016 a banda anunciou que estava iniciando uma parceria com o músico Simone Fuller e a Universal Music para lançar “um empreendimento inovador que irá utilizar o mais recente em tecnologia digital e realidade virtual … que permitirá a uma nova geração de fãs ver, ouvir e sentir a banda ABBA de uma forma nunca antes imaginada”. O evento está previsto para ocorrer em 2018.

Alibaba: plataforma de ecommerce lança experiência de compra com Realidade Virtual e Realidade Aumentada

O Alibaba’s Singles’ Day (11/11) é o maior evento do varejo online no mundo: em 2016, a plataforma gerou US$17,8 bilhões em transações num único dia (em contrapartida, o varejo inteiro dos EUA gerou cerca de US$10 bilhões na black friday de 2015, somando-se as compras online e offline!).

No Single’s Day de 2016 a Alibaba lançou o Buy+, uma experiência de compra com Realidade Virtual. Na demonstração, o consumidor pode ser transportado para uma loja da Macy’s em Nova Iorque – e fazer compras. O site também lançou a experiência de compra com a Realidade Aumentada através de um jogo chamado Catch a Cat para sua plataforma Tmall, similar ao Pokemón Go.

Google: Aplicativo Tilt Brush permite que os usuários criem ambientes animados com Realidade Virtual

O próximo passo em oferecer realidade virtual às pessoas? Deixar que elas mesmas criem seus ambientes (e compartilhem com os demais, claro).
O Google lançou o Tilt Brush, um aplicativo para os óculos de realidade aumentada da HTC, em Maio de 2016. O aplicativo permite aos usuários realizarem pinturas em 3D, usando um simples controle como pincel. Os usuários podem compartilhar suas criações como gifs.

Mundos à parte

Momondo: anúncio que destaca a diversidade racial

Em junho de 2016, o website Momondo postou um vídeo que destacava a diversidade racial escondida em todos os indivíduos. Em A Jornada do DNA (do original The DNA Journey), voluntários foram solicitados para falar sobre o orgulho na herança nacional e até sobre problemas com pessoas de outros países, antes de verem os resultados dos testes de DNA que provariam que eles nada mais são do que uma mistura de genes do mundo inteiro. O anúncio terminou com a seguinte frase: “Você tem mais em comum com o mundo do que imagina”. Em novembro de 2016, o vídeo já estava com mais de 12 milhões de visualizações no Youtube.

Tiger Beer: A loja de descontos mais exclusiva de Chinatown

Em junho de 2016, a Tiger Beer lançou uma pop-up store em Chinatown. O objetivo foi fornecer descontos especiais para os produtos da marca na região e redefinir estereótipos. As pessoas precisavam mostrar um porta-copos da marca para entrar na loja e, cada noite, a loja vendia tudo após aproximadamente 1h da abertura.

Starbucks: série celebra os indivíduos em comunidades ao redor dos EUA

Em setembro de 2016 o Starbucks lançou o Upstanders: uma série de podcasts, curtas histórias e vídeos que destacam os indivíduos ao redor dos EUA que trabalham para fazer a diferença em suas comunidades. Tópicos como falta de moradia, autismo, desperdício de comida e o papel da polícia caracterizam a série, com o objetivo de unir os americanos durante a temporada da eleição.

Pessoas Anônimas (Incognito Individuals)

O anonimato retorna

Há muito tempo estamos fazendo com que as empresas a abracem as realidades e possibilidades do Consumismo Pós-Demográfico. À medida que essa mega tendência se desenvolveu, surgiram duas novas diretrizes: as marcas estão cada vez mais reconhecendo segmentos demográficos não-tradicionais mas ainda mais autênticos (no mês passado, o maquiador de 17 anos, James Charles, tornou-se o primeiro rosto masculino da Covergirl); ao mesmo tempo novos volumes e fontes de dados também estão levando muitas empresas mais próximo do objetivo do “segmento de um só” em uma escala de massa (pense no Spotify’s Discover Weekly, onde mais de 40 milhões de usuários recebem uma lista de reprodução única a cada segunda-feira).

Conforme os consumidores tiverem mais controle sobre os algoritmos, o desejo de acessar os dados pessoais só vai aumentar.

Este é o motivo de que 2017 chega para dar oportunidades às marcas, produtos e serviços que permitam que os consumidores possam ser livres.

Exemplos de inovação

Candid: Aplicativo de conversa anônima filtra posts abusivos através de Inteligência Artificial

Enquanto aplicativos de chat anônimos estão disponíveis desde alguns anos atrás, a Candid, que foi lançada em julho de 2016, traça uma rota extremamente poderosa para melhorar a experiência dos usuários anônimos. Para evitar o abuso e bullying frequentemente associados ao anonimato, a Candid usa algorítmos que marcam e filtram conteúdos abusivos (o programa diz que cerca de 40% do conteúdo postado é removido). Conteúdos duvidosos também são removidos, através de checagem com cruzamentos de posts na web e de dados do Twitter. O fundador da Candid, Bindu Reddy, disse que criou o aplicativo depois de se sentir proibido de compartilhar opiniões francas em convencionais e identificadas mídias sociais.

Capacidade de Captura

Um novo ângulo na sustentabilidade

Produtos sustentáveis estão se tornando cada vez mais tendência no mercado. Enquanto isso, a economia de compartilhamento, o consumo de peer-to-peer (P2P) e o aumento dos modelos de negócios de acesso ao excesso de propriedade têm radicalmente recalibrado as expectativas dos consumidores em torno da utilização e do desperdício. Quando você pode pagar para usar carros por minuto, utilizar um escritório por hora, comer sua comida cozida por seus vizinhos e mais, então os processos comerciais “tradicionais” de repente começam a olhar ainda mais para o desperdício.

É por isso que, em 2017, as marcas inteligentes vão expandir o seu pensamento em torno da sustentabilidade e voltar a sua atenção para a Capacidade de Captura. Isso significa encontrar e desbloquear novas fontes de valor, ou encontrar maneiras criativas de eliminar qualquer recurso desperdiçado.

Cidade de Cape Town: Portal online para reciclar e comercializar resíduos

Acha que se trata de uma tendência apenas para mercados de consumo “maduros”? Pense novamente. Consumidores em mercados emergentes estarão especialmente entusiasmados com as inovações que os permitirão obter mais de menos. Exemplo:

Em fevereiro de 2016 a cidade de Cape Town atualizou seu serviço de Intercâmbio de Resíduos Integrados (IWEX, da sigla em inglês) para torná-lo mais amigável para os indivíduos, instituições e negócios na cidade. O governo criou um portal online que permite que as empresas e o público se conectem e reciclem resíduos como móveis usados, pneus, computadores e embalagens. O novo portal permite que os usuários acrescentem imagens e detalhes ao que listarem, e anúncios para produtos que estejam procurando.

Big Brother Brands

Agora serão bem-vindas

Conveniência. Relevância. As expectativas do cliente em torno destas necessidades básicas entrelaçadas alcançarão novo patamares em 2017.

Duas novas correntes que impulsionam essa tendência em 2017:

Primeiro, o próximo deslocamento da tela como a principal maneira de interagir com os nossos dispositivos digitais. Todos os principais players de tecnologia têm  utilizado a voz (!), acreditando que ela será a interface do futuro. E 2016 foi um ponto de encontro em termos de reconhecimento de voz: a tecnologia de voz do Baidu é agora mais rápida e mais precisa do que se o consumidor optar por digitar em um teclado de smartphone. E nem sequer está próxima de alcançar a voz: a taxa de entrada foi 3 vezes mais rápida para o inglês e 2,8 vezes para o chinês mandarim; Enquanto a taxa de erro foi 20,4% menor em Inglês e 63,4% menor para Mandarim Chinês! (Stamford, Agosto de 2016).

Em segundo lugar, essas interações intuitivas irão convergir com a rápida capacidade de melhoria nos assistentes de inteligência artificial. Um sinal: os usuários de assistentes virtuais digitais deverão aumentar de 390 milhões em 2015 para 1,8 bilhões em todo o mundo até 2021.

Então, como será a próxima geração de Big Brother Brands?

Google Home: alto-falante ativado por voz

Anunciado em outubro de 2016, o Google Home é um alto-falante ativado por voz feito pelo Google Assistant. Uma vez adquirida a permissão, o dispositivo de US$129 se conecta com as contas do usuário no Google e digitaliza emails, calendários e arquivos e fotos carregados para o Google, que cria compromissos, listas, adiciona itens à lista de compras e muito mais. Através de  comandos de voz, os usuários podem fazer perguntas ao Google Home e receber informações sobre o clima em tempo real, trânsito e notícias esportivas. Os usuários também podem tocar músicas de programas integrados como Spotify e Pandora, ou conectar o Google Home com outros dispositivos inteligentes (como o Chromecast e o Nest).

Roobo: O robô de estimação Dumgy Al reconhece membros da família e joga seus jogos favoritos

A empresa de tecnologia Roobo, baseada em Pequim, apresentou Domgy em junho de 2016: um robô similar a um cachorro de estimação, que usa inteligência artificial e reconhecimento facial para reconhecer membros da família, jogar seus jogos favoritos, alertar a família quanto a intrusos, e muito mais. Domgy passeia pela casa e pode desviar de obstáculos numa casa, bem como subir degraus, e automaticamente retorna ao seu carregador quando a bateria está prestes a acabar. O dispositivo é controlado através de sua “face” (que é uma touchscreen) ou através do smartphone.

(Texto original: http://trendwatching.com/trends/5-trends-for-2017/)