04 marDesign a serviço do varejo

Escrito por Ticiana Werneck, do Portal No Varejo

Designer das lojas The Beauty Box, de O Boticário, dá dicas de ambientação no ponto de venda

O arquiteto Ricardo Campos, do escritório Santa Irreverência, de Niterói (RJ), nunca esteve tão envolvido com o varejo como agora. É dele a assinatura de design das lojas The Beauty Box, do Grupo O Boticário.

Após a concorrência, a Santa Irreverência levou a melhor entre seus concorrentes: um escritório de Portugal, outro da Alemanha e três de São Paulo, com uma proposta que estimula a experimentação e aumenta o tempo de permanência na loja.

Campos é responsável também por cinco lojas conceito no recém-aberto Village Mall, na Barra da Tijuca (RJ), e oito pontos comerciais, entre lojas Animale, Blue Man e outras, e restaurantes, no Parkshopping de Campo Grande, Rio de Janeiro.

“O nosso objetivo foi criar para a The Beauty Box um espaço aconchegante que utilizasse de forma inteligente as ferramentas que dispomos na arquitetura para o estímulo da permanência do cliente na loja, fidelização e, consequentemente, reforço de marca. Eu entendo a arquitetura como uma disciplina que trabalha estes conceitos. Mais do que vestir o lugar, nós temos que torná-lo um espaço de encontro e de resultados”, afirma.

Nas lojas, foi criada uma bancada na qual a cliente pode usar os produtos, experimentar sozinha e conferir o resultado da maquiagem. Alguns produtos estão expostos em pequenas caixas de madeira com a proposta de que sejam mesmo abertas e dentro se descubra um novo produto de beleza.

A união entre arquitetura e moda é tendência mundial. “Fazemos muita pesquisa para escolher materiais. Cada projeto tem que traduzir o perfil da marca, por isso, o estudo tem que ser constante. As novidades e releituras de clássicos são nossas bases de pesquisa”, destaca Campos.

Para Roberto Jatahy, proprietário do Grupo Animale, cuja loja foi projetada por Campos, “através da loja conceito conseguimos ressaltar mais fortemente a essência da marca. É uma demanda que surge com a profissionalização e evolução do mercado de moda, competitivo ao ponto de hoje termos shoppings com marcas nacionais e internacionais. Esta globalização faz com que as marcas busquem uma diferenciação através da sua identidade, personalidade e experiência no ponto de venda”.

Na visão do arquiteto Campos, a dinâmica do varejo mudou com o advento do ecommerce. “Os consumidores têm a opção de não sair de casa para comprar. Assim, o fundamental para tornar o ambiente do varejo mais eficiente é valorizar a experiência da compra. Isso deve ser influenciado pela arquitetura, que tem seu papel traduzido na criação de ambientes cada vez mais convidativos e direcionados ao público-alvo”, diz. Mas, como melhorar a experiência de compra? É uma combinação certeira entre fluxos orgânicos, iluminação aconchegante, ambiente, atendimento, preço, personalização no pagamento… “É fazer da compra um evento”, acrescenta.

A escolha de materiais sustentáveis é outra tendência na arquitetura para o varejo. “Há demanda por elementos de ferro reaproveitado, a madeira natural foi substituída pela de reflorestamento ou ainda por revestimentos vinílicos de baixo impacto produtivo”, comenta. Em relação à iluminação, a evolução do LED, com maior eficiência energética, tem mudado totalmente os projetos para varejo.

Texto extraído de http://www.portalnovarejo.com.br/destaque/destaques/design-a-servico-das-vendas