27 maioDona do Outback vai abrir outra rede no Brasil

Escrito por Adriana Mattos, do Valor Econômico

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Os donos da rede Outback trarão uma nova cadeira ao Brasil, a Fleming’s, focada no segmento de carnes e vinhos, por meio de parceria com sócios majoritários brasileiros, segundo o comando informou para analistas dias atrás. Ao abrir mão do controle da operação no país, o grupo reduz a necessidade de capital para investimentos.

A primeira unidade da Fleming’s deve ser inaugurada no primeiro trimestre de 2016, com projeto que envolve a abertura de 10 a 15 unidades por ano até 2020. Até então, a Bloomin’ Brands, grupo controlador americano, operava apenas o Outback no país, adquirido em 2013, e que reúne sócio-operadores locais, donos de cotas das lojas que administram.

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O comando da empresa disse que com a atenção voltada para a expansão das redes Outback e Abbraccio, de comida italiana – e para evitar dar um passo maior que a perna – o grupo decidiu não entrar como sócio controlador. Analistas questionaram a decisão.

“Eu me comprometi com vocês [analistas] a não fazer coias demais ao mesmo tempo. Esse é o nosso foco. Mas há uma tremenda oportunidade nesse negócio no Brasil, onde não há um grande líder de mercado [no segmento de carnes]. No entanto, achamos que não é apropriada [a expansão como majoritário] por causa desse foco que temos”, disse para analistas a presidente mundial, Liz Smith.

Para efeito de comparação, na nova rede Abbraccio, com a primeira unidade aberta no país em março, em São Paulo, o custo por loja varia de R$5 milhões a R$5,5 milhões. Na Fleming’s, isso sobe para de R$7,5 milhões a R$8 milhões. Como parte do plano de expansão do grupo no Brasil passa também pela abertura de novos Outbacks – de R$4 milhões a R$5 milhões cada – somar mais uma rede ao portfólio, mantendo investimentos como sócio majoritário, elevaria os desembolsos.

Com o Outback, a estimativa é abrir 12 unidades próprias até dezembro, com ritmo de 12 a 15 restaurantes anuais no prazo de 4 a 5 anos. O Outback tem 65 unidades no país. Em relação à Abbraccio, a previsão é de 8 a 10 pontos ao ano.

De janeiro a março, a operação do Outback registrou alta de 6,2% nas vendas “mesmas lojas” (em operação há mais de 18 meses) com tráfego 1,2% maior. Ao fim de 2014, a operação crescia taxa acumulada maior, de 7,6%. Para 2015, a cadeia prevê aumento de 25% nas vendas brutas totais (lojas novas e antigas), boa parte puxada pela abertura de novos pontos.

“As crises no Brasil são revertidas rapidamente. Se ficarmos parados, quando a recuperação vier, há risco de perder ritmo [de crescimento]. Por isso decisão é não recuar investimentos”, disse Salim Maroun, presidente do Outback Brasil. Segundo ele, a empresa decidiu fazer reajustes abaixo da inflação do setor para tentar gerar tráfego maior e, com isso, ganhar vendas gerando volume. “Não é hora de financiar custos no cardápio, é hora de gerar tráfego”.