04 julDonos d’O Boticário investem em bares tradicionais de São Paulo

Escrito pela Redação do Estadão Conteúdo

Por meio de um fundo de investimento, eles se tornaram sócios da Companhia Tradicional de Comércio, dona de bares como o Pirajá, além da Lanchonete da Cidade e da Pizzaria Braz

Por meio de um fundo de investimento, eles se tornaram sócios da Companhia Tradicional de Comércio, dona de bares como o Pirajá, além da Lanchonete da Cidade e da Pizzaria Braz

Os principais acionistas do Grupo Boticário, Artur Grynbaum e Miguel Krigsner, investiram, recentemente, parte de sua fortuna pessoal num negócio inusitado – ao menos para eles, que construíram sua trajetória empreendedora no ramo de cosméticos. Por meio do fundo de investimento 2+capital, os dois se tornaram sócios da Companhia Tradicional de Comércio, dona de bares bem conhecidos no mercado paulistano, como o Original e o Pirajá, além da Lanchonete da Cidade e da Pizzaria Braz. O negócio foi fechado em fevereiro e recentemente recebeu aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Os sócios fundadores da Cia. Tradicional do Comércio – são seis no total – não fazem questão de enfatizar que, por trás do novo sócio, está o gigante Boticário – como revelou no início desta semana a coluna da Sonia Racy. “Não temos qualquer relação direta com eles, nem nos conhecemos pessoalmente. Nosso negócio é com o fundo”, diz Ricardo Garrido, um dos fundadores da companhia. O 2+Capital foi criado em 2010 para gerir e “domar” o ímpeto empreendedor de Grynbaum e Krigsner.

No comando, está o diretor Fábio Sakamoto, ex-executivo da consultoria Bain & Company. “Os dois são empreendedores natos, que não conseguem ignorar uma boa oportunidade de negócio”, diz Sakamoto. “O fundo veio para estruturar e organizar isso.” Em dezembro de 2010, o 2+capital fez seu primeiro investimento, comprando uma participação na Frajo, uma importadora e distribuidora de cosméticos importados com sede em Campinas, no interior de São Paulo. No ano seguinte, fez um aporte no Grupo Scalina, dono das marcas Trifil e Scala. Na época, os investimentos foram divulgados ao mercado como novos negócios do Grupo Boticário, mas, segundo Sakamoto, os recursos não saíram do caixa da companhia e, sim, do fundo. “O dinheiro é da pessoa física”, diz ele. Grynbaum e Krigsner não participam do dia a dia do 2+capital, mas integram o comitê de investimento, que se reúne mensalmente para analisar os ativos e decidir sobre novos aportes.

O fundo opera como um private equity (compra participação em empresas para obter lucro, no futuro, com a venda das ações). Só que Sakamoto gosta de dizer que sua filosofia é diferente. “Não temos prazo para sair do negócio. Nosso foco é investir em histórias empresariais de sucesso, principalmente nos segmentos de varejo e consumo, sem data para sair”, explica o executivo. Foi isso, dizem os sócios da Cia. Tradicional de Comércio, que fez a diferença na hora da negociação. Nos últimos cinco anos, a empresa foi sondada por uma dezena de fundos, mas as conversas nunca foram adiante. “Eles chegavam com um papo de crescimento rápido e até abertura de capital, que não tinha nada a ver com a nossa estratégia”, diz Edgar Bueno da Costa, um dos seis fundadores da empresa.

Os empresários não revelam o valor do aporte nem a fatia adquirida pelos donos do Boticário. Com a chegada do fundo, o grupo aproveitou para organizar sua estrutura societária: até então, os fundadores tinham sócios diferentes em cada um dos projetos. Os que decidiram ficar, após a reestruturação, passaram a ser sócios da holding. Hoje, a Companhia Tradicional de Comércio é dona de nove marcas, com 22 unidades, em São Paulo, Rio e Campinas, com mil funcionários e faturamento estimado pelo mercado de R$ 180 milhões. Historicamente, o grupo costuma abrir de dois a três negócios por ano e não pretende acelerar o ritmo com a entrada do fundo. “A chegada dos novos sócios vai nos ajudar com questões mais estratégicas e de longo prazo”, diz Garrido.

Segundo ele, será possível, por exemplo, criar um centro de treinamento para a capacitação de funcionários – que até agora, era improvisado nas pizzarias do grupo. Para liderar o planejamento da empresa, o 2+capital destacou o executivo Eduardo Gromatzky, que também veio da Bain & Company. “A empresa já era redonda, viemos para somar”, diz Gromatzky. “A ideia aqui não é transformá-la num McDonald’s.”

Texto extraído de: http://epocanegocios.globo.com/Inspiracao/Empresa/noticia/2014/07/donos-do-boticario-investem-em-bares-tradicionais-de-sp.html