19 fevGrupo Reserva amplia negócios e se prepara para explorar o mercado paulista

Escrito por Vanessa Barone, da Valor Econômico

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Lá se vão sete anos desde que um grupo de amigos decidiu criar uma marca de roupas que ganhasse não apenas o corpo, mas antes de tudo o coração do “menino do Rio”. Acostumado a usar pouca roupa e a transitar da praia ao shopping com a mesma bermuda de surf, o consumidor carioca não é dos mais dispostos a mexer no próprio estilo. Mas aí surgiu a Reserva e o seu discurso consistente (e irreverente) a respeito de moda, comportamento e outras questões que permeiam a cabeça da juventude de hoje.

De irreverência em irreverência, conquistou os consumidores com um conceito libertário de que se pode ser feliz sendo exatamente o que se é. “Faço parte de uma geração que valoriza empresas que trabalham com o coração. Somos pessoas que vendem roupas a partir de uma relação verdadeira”, diz Rony Meisler, diretor criativo da Reserva. Mas mesmo apostando numa gestão intuitiva, a empresa passou, recentemente por um processo de profissionalização. Há dois anos, deixou de ser apenas uma grife solitária para ser um grupo que reúne vários negócios, como a infantil Reserva Mini (que hoje vai de zero a 12 anos) e a feminina Eva. A ideia de Rony Meisler é ir adiante, agregando, no futuro, outras marcas ao grupo.

Há dois anos, o apresentador de TV Luciano Huck passou a ser sócio do grupo. Com isso, a marca de camisetas do apresentador, a Huck, passou a integrar o negócio. As vendas são feitas somente pela internet, em um esquema bastante eficiente. “Nós temos um estoque de camisetas brancas. À medida que vão sendo compradas, as camisetas recebem a impressão digital e são entregues prontas. “Com isso, passamos também a ser uma estamparia sob demanda”, diz Meisler. O site usehuck.com vende 10 mil camisetas por mês.

Na segunda coleção, a Eva é a marca mais requintada do grupo, ainda que aposte no charmoso estilo casual da mulher carioca. Atualmente, possui uma butique em Ipanema e outra no shopping Rio Design Barra. A grife deverá crescer a exemplo da Reserva, que possui 31 lojas próprias e quatro franquias.

Mesmo bem-sucedido em transformar “life style” em roupa, o universo da moda é pouco para o grupo. Entre os produtos da empresa está a revista “Reserva”, que era semestral, mas passa, este ano, a sair a cada três meses. “No futuro, espero que ela se descole da marca”, diz Meisler. “Somos empreendedores da comunicação, sendo que a nossa primeira mídia foi a moda”.

Há alguns meses, a Reserva estreou no segmento de gastronomia, com a abertura da lanchonete TT Burger Hambúrgueres Brasileiros, no Arpoador. No negócio, a empresa é sócia da família do chef Claude Troisgros e tem à frente o chef Thomas Troisgros. “Nosso negócio é construir marcas”, justifica Meisler. No espaço onde hoje funciona a lanchonete, havia a Reserva +, lugar usado para eventos. A aposta no TT Burger é ser o “point” da juventude dourada que transita pelo Arpoador – e que já consome 20 mil hambúrgueres por mês. No cardápio do TT há apenas um tipo de hambúrguer, feito com carne bovina, pão feito de batata doce (produzido em uma pâtisserie dentro do Complexo do Alemão), queijo meia-cura e ketchup à base de goiaba.

Com o mercado e a fama bem consolidados no Rio, a Reserva agora se prepara para explorar todo o potencial do Estado de São Paulo. “Estamos abrindo showroom e escritório para cuidar da marca localmente”, diz Meisler. A partir daí, o céu será o limite.

Texto extraído de: http://www.valor.com.br/cultura/3425250/grupo-reserva-amplia-negocios-sem-perder-o-foco#ixzz2tmiE4wGS