01 setHamburguerias adotam modelo de franquias para crescer

Escrito por Jacilio Saraiva, do Valor Econômico

frys

 

Hamburguerias tradicionais e novos concorrentes estão adotando o modelo de negócio baseado em franquias para expandir lojas. Quatro empresas, sediadas no Rio de Janeiro e em São Paulo, afirmaram ao Valor que o franqueamento deve começar até 2015. Dependendo do projeto de expansão, estão programados investimentos de até R$ 15 milhões nos próximos cinco anos. Há opções de lojas de rua, em shopping centers e food trucks capazes de produzir 300 lanches por hora. Segundo os empresários, para obter sucesso no setor, é preciso colecionar bons fornecedores, investir na qualidade dos produtos e também garantir uma boa localização para as lanchonetes.

Em menos de dois anos, a carioca Fry’s inaugurou três lojas no Rio de Janeiro e se prepara para abrir o primeiro ponto em São Paulo ainda neste mês de agosto, todas no modelo de franquias. O investimento estimado é de R$ 1,6 milhão para a empreitada. Na capital paulista, até o final deste ano, a rede deve instalar operações no Shopping Ibirapuera e nos bairros do Itaim Bibi e Jardins. A expectativa é inaugurar 30 estabelecimentos na cidade nos próximos cinco anos. O investimento total na expansão é de R$ 15 milhões. A empresa informa que há projetos em andamento também em Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná.

Com 100 funcionários diretos, a Fry’s faturou R$ 3,8 milhões no ano passado, com a expectativa de chegar a R$ 8 milhões em 2014. “Vendemos, em média, oito mil sanduíches por fim de semana”, afirma o sócio-fundador José Guilherme Aranha. “O plano é preparar onze mil unidades, após a inauguração da franquia no Shopping Center Norte, em São Paulo”, afirma.

Antes de começar o negócio, Aranha, um fanático por hambúrgueres, visitou as melhores casas do ramo nos Estados Unidos. “Há pouquíssimos lugares no Brasil onde é possível comer um sanduíche com sabor genuinamente americano”, justifica. Na cozinha, a receita do empresário é nunca congelar a carne que vai ser usada nos lanches. Com molhos e saladas grátis, uma opção de 110 gramas é vendida na rede a partir de R$ 9,90. A lanchonete também investiu em cachorros-quentes e sanduíches de peito de frango. Nos próximos três meses, seis novas opções devem entrar no cardápio.

Segundo o empreendedor, o sucesso no setor depende da escolha do ponto de venda. “Uma localização excelente com uma operação mediana consegue se sustentar, mas um ponto ruim com boas vendas pode morrer antes de amadurecer”, diz. Outra preocupação é nunca reduzir a qualidade do produto para gerar margem de lucro. “Se algo está caro, é sinal que o preço de venda precisa ser reavaliado e não trocar a matéria-prima por uma similar de menor qualidade.”

Aranha afirma que, para facilitar o controle de custos, é necessário ainda desenvolver uma lista de bons fornecedores e negociar com grandes marcas que monopolizam alguns segmentos. “Quando se é pequeno, paga-se muito mais caro e há menos atenção da indústria”, avisa.

Jorge Boratto Filho, sócio-fundador da Burger Lab, franqueadora de hambúrgueres gourmet sediada em São Paulo, diz que a rede deve duplicar de tamanho em 2015. Criada em agosto de 2012, a marca iniciou o franqueamento em maio do ano pasado. Hoje, a empresa tem oito unidades em três modelos de negócios: restaurante ou loja de rua, pontos em praças de alimentação de shopping centers e food trucks de alta performance, capazes de estocar três mil hambúrgueres e produzir 300 lanches por hora.

As novas unidades devem ser abertas a partir de outubro nos bairros paulistanos dos Jardins, Chácara Flora, Itaim Bibi e Mooca. A Burger Lab faturou R$ 3 milhões em 2013 e pretende, com a anunciada expansão, chegar a R$ 12 milhões até dezembro. “Estamos implantando um sistema em que o cliente pede o lanche e faz o pagamento por um aplicativo de celular, sem a necessidade de chamar o garçom”, diz Boratto, ex-produtor musical indicado a quatro prêmios técnicos do Grammy Latino.

Bruno Kobayashi, administrador das hamburguerias Zé do Hamburger Diner, estuda franquear a marca a partir de 2015. Inspiradas em restaurantes americanos, com decoração dos anos 1950, as lanchonetes funcionam no bairro paulistano de Perdizes, com cerca de 100 funcionários, e foram abertas nos últimos seis anos. Faturaram R$ 7,5 milhões em 2013 e a meta para este ano é superar os R$ 10 milhões de faturamento. Os dois endereços servem cerca de quatro mil lanches no fim de semana.

“A quantidade de concorrentes cresce a cada ano e, para se manter nesse segmento, não podemos ‘parar no tempo'”, diz. “O crescimento é natural, e não uma opção”. Kobayashi, ex-executivo de uma multinacional, afirma que administrar um negócio em expansão exige conhecimentos em diversas áreas. “A busca de informações de mercado, de parceiros de negócios eficientes e, em alguns casos, de alguém de fora para ajudar na gestão, pode fazer a diferença.”

Segundo ele, uma das maiores dificuldades para ampliar o empreendimento é encontrar pontos comerciais. “A locação de imóveis em São Paulo tem um valor alto. E a limitação dos espaços reduzidos é outro obstáculo a ser vencido. No nosso caso, muitas vezes, os clientes aguardam até uma hora na fila de espera.”

Com três unidades em Campinas e uma em Piracicaba, no interior do Estado de são Paulo, Marcos Torrado, sócio-proprietário da Big Jack Hamburgueria, também deve começar, este ano, o franqueamento da companhia fundada em 2009. Com 110 colaboradores, a empresa prevê um crescimento de 8% a 10%, em 2014.

Para incrementar as vendas, uma das estratégias é lançar, pelo menos, três novos lanches a cada ano. “Também criamos alternativas em datas específicas, como o hambúrguer de peito de peru, no Natal, e o de bacalhau, na Páscoa”, diz. Torrado também pretende dinamizar as entregas com um serviço de bufê em domicílio, que leva todo o cardápio da lanchonete para a casa do cliente.

Segundo Torrado, os empresários do setor precisam estar atentos à concorrência das grandes redes de lanchonetes, vencer as dificuldades de acesso à linhas de crédito e à mão de obra qualificada. Sem revelar números, o sócio diz que os investimentos deste ano serão feitos de acordo com a disponibilidade do fluxo de caixa. “Vamos evitar a necessidade de captar no sistema financeiro, em um momento de aumento de taxas de juros e inflação.”

Texto extraído de: http://www.valor.com.br/empresas/3672418/hamburguerias-adotam-novo-modelo#ixzz3C1VOzCQi