20 junJaponeses buscam parceiros para abrir franquias no Brasil

Por Adriano Lira, da Pequenas Empresas & Grandes Negócios

yamagoya ramen

Quando se fala em empresas japonesas, o que vem à cabeça são as indústrias de eletrônicos e de automóveis. No entanto, o mercado do país asiático tem mais do que isso e uma pequena parcela desse mercado esteve presente na ABF Franchising Expo, feira de franquias realizada entre 15 e 18 de junho, em São Paulo.

O Yamagoya Ramen e o Ramen Iroha, duas franquias de lámen, um tipo de macarrão bastante consumido no Japão, estiveram na feira para conhecer melhor o mercado brasileiro. Apesar de venderem o mesmo produto, as expectativas das redes com relação ao nosso país são diferentes.

As duas empresas participaram do evento por meio de uma missão comercial organizada pela Organização de Comércio Exterior do Japão (Jetro), entidade que funciona de forma parecida à ApexBrasil, conectando empreendedores nipônicos a oportunidades de negócio em outros países.

O país asiático tem, de acordo com a Associação Japonesa de Franchising (JFA), 1321 redes de franquias. Apenas três delas estão presentes no Brasil hoje: o Kumon, do setor de educação, a Daiso, de presentes e utilidades domésticas, e o Sukiya, de culinária japonesa “quente” – o restaurante vende porções de carne e lámen, entre outras opções, sem sushis e nem sashimis.

Por outro lado, dentre as 3181 redes de franquias do Brasil, segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF), só cinco estão no Japão: as escolas de idiomas Fisk, CCAA e Wizard, a Truss Cosmetics e a Fábrica Di Chocolate.

De acordo com Michihiko Kameda, diretor-geral da Y.S Food, controladora do Yamagoya Lamen, o Brasil é um mercado interessante para a rede, que tem 156 unidades espalhadas pelo mundo.

O trabalho na feira foi o primeiro contato efetivo da marca com o país, mas já é o suficiente para que Kameda se anime com a possibilidade de trazer a franquia para cá.

Ele cita o Jojo, um restaurante de lámen recém-aberto em São Paulo que tem filas de interessados no prato, como um exemplo de que o produto pode virar um sucesso por aqui. “Há alguns restaurantes de lámen no Brasil, mas redes de franquias podem ter ainda mais sucesso no país.”

De acordo com Kameda, a presença na ABF Franchising Expo marca o começo da busca por um parceiro comercial para implantar o Yamagoya no Brasil. “Se houver alguém interessante, podemos começar as negociações o mais rápido possível”, afirma. O japonês, aliás, não se assusta com o cenário de crise no Brasil. “O momento de chegar aqui é este”, diz.

Reina Kurihara, diretora do Ramen Iroha, também diz que o mercado brasileiro é interessante. No entanto, encara a eventual chegada ao país com mais prudência. Para ela, deve-se fazer um estudo para ver se os ingredientes usados nos lámens podem ser produzidos por aqui ou devem ser importados.

Além disso, Reina demonstra preocupação com dois temas recorrentes na vida dos empreendedores locais. “Temos que entender melhor como funcionam os impostos e as leis trabalhistas daqui”, afirma.

A maior meta do Ramen Iroha na feira foi buscar um parceiro que atuasse como máster-franqueado da rede. “Queremos alguém que conhece o mercado do Brasil e as particularidades das pessoas daqui. Assim, a gestão do negócio fica mais fácil.”

O custo de uma unidade das franquias fica em torno de US$ 160 mil (cerca de R$ 540 mil) no Japão. Kameda ressalta, contudo, que os custos de implantação no Japão são substancialmente maiores do que nos países em desenvolvimento.

Texto extraído de: http://revistapegn.globo.com/Franquias/noticia/2016/06/japoneses-despertam-para-mercado-de-franquias-no-brasil.html