04 fevMercado de franquias continua em franca expansão

Escrito por Ana Paula Hinz, do Mundo do Marketing

Setor continuará aquecido e ABF (Associação Brasileira de Franchising) prevê um aumento de 10% na abertura de novas lojas e 15% de crescimento em 2013

O setor de franquias brasileiro prevê mais um ano de crescimento em 2013. Apesar do ano passado ter sido “morno” para a indústria, as franquias registraram um aumento de quase 15% no faturamento e 9% de aumento na abertura de lojas. Para 2013, as projeções da ABF (Associação Brasileira de Franchising) se mantêm otimistas: o mercado deve crescer mais 15%, enquanto a abertura de lojas aumentará em 10%.

Isso faz das franquias um dos setores mais aquecidos da economia, com capacidade para gerar 80 mil novos empregos por ano, apesar de o país ter crescido apenas 1% em 2012. Atualmente, o Brasil é o quarto país com maior quantidade de marcas franqueadoras e ocupa o sexto lugar no número de franquias segundo dados da ABF.

A vantagem do franchising em relação a outros modelos de negócios está em seu próprio formato, que permite uma expansão mais rápida para regiões onde exista demanda. As unidades geridas por empreendedores que entendem e vivem na cultura local têm mais chances de serem bem sucedidas que em uma expansão totalmente operada por uma matriz. Outro elemento que contribui para o bom resultado são as leis que regulam o setor.

O regime de impostos e arrecadação de contribuição Simples Nacional favorece os microempresários, caso dos franqueados, e influencia o setor. “Em determinados lugares ter uma loja própria dá prejuízo, mas na mão do franqueado ela pode dar lucro só pelo fato de ter um tratamento tributário diferente”, destaca Marcelo Cherto, Presidente do Grupo Cherto, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Setor mais agressivo no Marketing
Um elemento que impulsiona o bom momento das franquias é o investimento contínuo das marcas tanto na expansão quanto no Marketing. “Apesar do crescimento do PIB, as franquias não pararam de investir e de abrir unidades. A criação de novos shopping centers também possibilitou a expansão de mais pontos comerciais”, explica Ricardo Camargo, Presidente da ABF, em entrevista ao portal.

Outra característica é o maior volume de verbas para ações de Marketing. Quanto mais lojas são abertas, mais recursos são captados por meio das taxas para a divulgação da marca e mais competição é injetada no mercado.  “Normalmente, as franquias possuem um trabalho forte de Marketing, pois como funcionam em rede e têm muitas unidades, a contribuição de todos acaba gerando uma verba substancial, o que permite uma estratégia mais efetiva”, complementa Ricardo Camargo.

Um exemplo é a Hope Lingerie. A empresa registrou crescimento de 35% em número de franquias em 2012 e pretende abrir mais 50 unidades até o final de 2013. Por causa da expansão, a rede tem tido mais recursos para investir em Marketing e tem adotado estratégias agressivas focadas em promoções, ações dentro das lojas e propaganda.

Oportunidade também de internacionalização
O fortalecimento do franchising se reflete na expansão das marcas tanto internamente quanto em mercados externos. Muitas empresas têm optado pela internacionalização e hoje são mais de 80 marcas brasileiras operando no exterior, como a Via Uno, a Spoleto e a Hope. Apesar das inúmeras diferenças, tanto a expansão nacional quanto a internacional partem do mesmo principio. “O essencial é entender os costumes e a cultura do público-alvo para aí sim oferecer um modelo de negócio adequado para ele”, destaca Marcos Nascimento, Diretor da Cia. de Franchising, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Antes de começar a pensar em abrir novas franquias, no entanto, as empresas passam por um processo de análise dos locais onde desejam estar situadas. Em alguns casos, a melhor escolha é concentrar a atuação em cidades onde a empresa já atua e esgotar o potencial ali. Já em outros negócios, a melhor estratégia é estar em todas as regiões o mais rápido possível mesmo com os riscos da dispersão.

Cada empresa é um caso diferente e precisa ser analisada de forma personalizada. Em muitos casos, é necessário fazer alguns ajustes na apresentação e no portfólio da franquia e é comum que produtos sejam incluídos ou retirados da nova unidade. “O principal é ver onde há consumidores em número suficiente e dispostos a gastarem com aquele negócio de forma que gere lucro. Isso varia para cada negócio”, destaca Marcelo Cherto.

Modelo de negócios estruturado e perfil: pontos fortes
O fato das franquias serem modelos de negócios já testados e estruturados garante uma certa segurança para o empresário que investe em uma nova loja. Esta certa previsibilidade de resultados é outro elemento que garante ao setor um bom crescimento. Com base nas informações sobre o macro ambiente e sobre suas próprias operações, o franqueador pode levantar dados sobre o investimento que o franqueado deve fazer para poder abrir o negócio e qual a projeção de resultado pelos próximos anos.

Franquias que não tiveram sua operação testada por algum tempo ou marcas que nascem diretamente como franqueadoras acabam tendo maiores chances de enfrentar problemas. “É preciso testar toda a operação e ter uma curva de aprendizado maior. O negócio muito novo ou que já nasceu como franquia corre um risco grande, pois o primeiro fator que determina se uma empresa é franqueável ou não é saber se existe a possibilidade do franqueador e dos franqueados ganharem dinheiro com isso. Se o mercado está saturado ou se a margem de ganho é muito baixa, é melhor avaliar com cautela”, avisa Cláudia Bittencourt, Diretora da Bittencourt Consultoria, em entrevista ao portal.

Outro fator importante para o sucesso de uma marca franqueadora é a busca de empreendedores que tenham um perfil convergente com o da empresa. A Sonar, área de franchising da Brasil Kirin, divulgou recentemente que pretende ampliar em 30% as franquias da cervejaria Devassa. O plano de expansão inclui regiões até então não exploradas, como o Nordeste. Para conseguir um bom desempenho nas novas áreas, a marca está à procura de pessoas dispostas a investirem no negócio, mas que tenham algumas características essenciais. “Ter capital não é a única característica para o empreendedor. É importante que o perfil da pessoa esteja alinhado ao da empresa”, explica Ricardo Camargo, da ABF.

O empresário precisa ter identificação com a marca, ser antenado com os novos conceitos de food service e preferencialmente ter experiência com bares e restaurantes. Esses requisitos ajudam na relação entre os dois lados. “O perfil adequado do franqueado facilita o aprendizado na hora de a empresa transferir as informações sobre como conduzir a operação”, avalia Marco Nascimento, Diretor da Cia. de Franchising.

Texto extraído de http://www.mundodomarketing.com.br/reportagens/mercado/26643/especial-franquia-mercado-continua-em-franca-expansao.html