15 agoMercado de luxo apresenta crescimento no segundo trimestre

Escrito por Daniela Fernandes, da Valor Econômico

Os tempos fastuosos do mercado de luxo, onde a “moda” desde 2010 era mostrar taxas de crescimento de dois dígitos, provavelmente ficaram para trás. Mas os balanços divulgados recentemente pelos grandes grupos, que registraram um desempenho melhor no segundo trimestre em relação ao início do ano, apontam que o luxo mantém o dinamismo, com planos de abertura de lojas.

O ritmo de crescimento menos robusto das vendas em 2013 é visto por alguns analistas como “o retorno à normalidade”, após a exuberância dos últimos anos.

O grupo francês Hermès é a exceção. Não dá sinais de desaceleração e ainda mantém crescimento de dois dígitos. Seu faturamento aumentou 11% neste primeiro semestre, totalizando quase € 1,8 bilhão, já considerado o impacto negativo do câmbio (€ 53 milhões), causado principalmente pela desvalorização do iene.

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O desempenho da Hermès contrasta com o dos dois outros grandes grupos franceses: LVMH, líder mundial do mercado de luxo, e Kering (antigo grupo PPR, dono de marcas como Gucci e Yves Saint Laurent). Eles não registraram a mesma performance, mas a expansão de suas vendas no segundo trimestre, na comparação com igual período do ano passado, foram melhores do que as realizadas no início deste ano, o que empolgou os mercados e fez suas ações subirem.

O faturamento da LVMH cresceu 6% no primeiro semestre na comparação com igual período do ano anterior, totalizando € 13,7 bilhões. As vendas do polo de luxo do grupo Kering, de € 3,1 bilhões, aumentaram 7,9% (ou 5,3% considerando-se o impacto cambial e o mesmo número de lojas).

O crescimento da Kering foi puxado pelas marcas Yves Saint Laurent e Bottega Veneta (com aumento de 16,5% e 12,9%, respectivamente). Já a Gucci se limitou a uma evolução de 4,1%. Os países emergentes representam 39% das vendas da Kering.

“Estamos confiantes na capacidade de melhorarmos nossas performances em 2013”, disse François-Henri Pinault, presidente da Kering, destacando que a “dinâmica” que reforçou o crescimento das vendas da divisão de luxo no primeiro semestre deverá continuar até o fim do ano.Bernard Arnault, CEO da LVMH, disse encarar “a segunda metade do ano com confiança”, após os resultados do primeiro semestre e “apesar das incertezas do cenário econômico na Europa”.

O bom desempenho do grupo LVMH foi puxado por suas atividades do segmento de varejo, ou seja, a rede de cosméticos Sephora e, principalmente, as lojas DSF em aeroportos, que se beneficiaram, certamente, da abertura de três concessões no aeroporto de Hong Kong, um dos mais frequentados do mundo. A Sephora já conta com mais de 1,4 mil lojas, 15 delas foram inauguradas neste primeiro semestre, sobretudo em mercados emergentes.

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O segmento de varejo foi o único do grupo a registrar um forte crescimento nas vendas: 19%, com faturamento de € 4,2 bilhões no semestre. Esse montante já se aproxima das vendas realizadas pela divisão de moda e artigos de couro da LVMH, que faturou € 4,7 bilhões no período, com aumento de 5% nas vendas e que tem a Louis Vuitton como carro-chefe.

Esta grife abriu duas lojas no semestre, em Veneza e Munique, e vem privilegiando a oferta de bolsas de couro, mais caras do que os famosos modelos decorados com o monograma, em tela emborrachada.

A Louis Vuitton subiu seus preços no Japão, para compensar a desvalorização da moeda em relação ao euro, ressalta a imprensa francesa. Os preços também têm subido na Europa. “Em geral, as grifes de luxo aumentam seus preços entre 3% e 4% anualmente, lançando produtos similares”, disse ao Valor o analista especializado em luxo Thomas Mesmin, do banco Syz & Co, em Londres. Ele prevê que as vendas globais dos grandes grupos de luxo cotados na bolsa deverão crescer entre 8% e 9% neste ano, descontadas as variações cambiais. “É uma boa performance”, avalia.

A Hermès e a LVMH continuam abrindo unidades de produção na França, sobretudo de bolsas e acessórios de couro, sinal de que a demanda se mantém. O grupo suíço Richemont, que registrou aumento de 9% das vendas no ano fiscal encerrado em março, dono de marcas como Cartier e Montblanc, também prevê ampliar sua rede de lojas, tendo como alvo países como o Brasil e a Índia, e irá também ampliar sua capacidade de produção de joias e relógios, com a ampliação de um ateliê da Cartier neste segundo semestre.

No segundo trimestre, as vendas da Hermès aumentaram 11,8% – ou 16,7% a taxas de câmbio constantes. Na Ásia (sem o Japão), a expansão das vendas foi de 17% nos primeiros seis meses. Performance idêntica nas Américas (que inclui o Brasil), onde o grupo informa um desempenho “excelente”.

“Continuamos tendo uma demanda muito forte em todas as regiões do mundo. Estamos confiantes em relação a 2013, mas mantemos a prudência devido às turbulências macroeconômicas e também à volatilidade das moedas”, afirma Axel Dumas, membro da sexta geração da família Hermès, nomeado em junho copresidente da Hermès. Apesar da instabilidade, o grupo prevê ultrapassar o objetivo de crescimento de 10% no ano.

“A Hermès se sobressai porque sua oferta de produtos é muito mais restrita do que a de marcas como Louis Vuitton. Os volumes não são os mesmos”, diz Mesmin, do Syz & Cos. Em outras palavras, quando alguém quer comprar uma bolsa Kelly, da Hermès, por exemplo, precisa esperar cerca de seis meses. “Dessa forma, a marca controla a produção e pode aumentar o volume para atingir um objetivo de vendas”, diz Mesmin.

Texto extraído de: http://www.valor.com.br/empresas/3233872/luxo-cresce-mais-no-segundo-trimestre#ixzz2c3FoSncg