28 marMercado virtual da moda está em constante crescimento

Escrito por Roberta Cardoso, do Estadão PME

As sócias do site OQVestir: aposta no mercado virtual deu certo

Roupas e sapatos estão na categoria de produtos que até pouco tempo atrás eram, necessariamente, adquiridos sob uma série de condições específicas. Pelo menos no Brasil. No entanto, o tradicional hábito do consumidor experimentar as peças começa a ser substituído por outro muito mais prático, acessível e dinâmico: a compra virtual.

Seguindo tendência de consumo semelhante a observada nos Estados Unidos e Europa – onde o segmento corresponde a 11% das vendas virtuais -, o mercado de moda online começa a crescer com rapidez no País.

A perspectiva de expansão do setor foi endossada em março pelo relatório WebShoppers, elaborado pela e-bit com apoio da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (camara-e.net) e da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio).

De acordo com a pesquisa, em 2011, os produtos ligados à moda e acessórios consolidaram-se como um dos cincos maiores mercados, por número de pedidos, no comércio eletrônico.

A participação chegou a expressivos 7% – até então, o segmento ocupava apenas a 26ª posição no ranking brasileiro. “Em dezembro do ano passado, o cadastramento de novas lojas online de moda chegou a 40% do total, sendo que as pequenas e médias empresas eram maioria”, explica a diretora de negócios da e-bit, Cris Rother. É de se esperar um boom no setor para os próximos anos, por isso, quem já atua no mercado tem tudo para ganhar mais espaço.

Em 2008, em plena crise econômica mundial, as hoje sócias Mariana Meleiro, Isabel Humberg e Rosana Sperandéo Saigh abandonaram seus empregos formais para abrir o próprio negócio, o site OQVestir – loja online de roupas e acessórios, mas também um espaço onde as empresárias fazem uma espécie de curadoria de moda virtual.

Mesmo sem conhecer profundamente o mercado, elas perceberam algo importantíssimo e também fundamental para o sucesso da empreitada: as grandes redes de varejo ainda não estavam – não estão até hoje – totalmente inseridas no mercado.

“A ideia surgiu de uma dificuldade nossa para comprar roupas e se informar sobre moda sem gastar o tempo que não tínhamos”, lembra Mariana Meleiro. De acordo com a empresária, elas partiram do zero até mesmo para captar recursos e tornar a ideia viável.
Por isso, foi preciso pedir, e obter, um financiamento no BNDES para dar os primeiros passos com o negócio.

Inovação
Como toda pequena empresa, o site esbarrou em algumas dificuldades iniciais, mas ganhou espaço porque trouxe ao mercado algo inovador. No OQVestir, a consumidora pode ver editoriais de moda, compostos por peças que estão à venda. Dessa forma, as clientes ampliam a noção de caimento das roupas e possíveis combinações de peças.

Esse diferencial chamou a atenção de um fundo de investimentos e, desde então, a empresa já multiplicou o número de funcionários – hoje a equipe é composta por 100 pessoas. As empresárias também esperam crescimento de 300% para 2012. “Nosso banco de dados tem mais de 200 mil cadastros e alcançamos, em março, a marca de 10 milhões de visitas no site”, comemora Mariana Meleiro.

A expansão do segmento de moda na internet, sem dúvida, amplia as oportunidades para pequenas e médias empresas. No entanto, alerta a diretora de negócios da e-bit, tanto empresários quanto consumidores estão descobrindo ao mesmo tempo como esse tipo de varejo efetivamente funciona.
Dessa maneira, segundo a especialista, o cliente ainda demora para efetivar sua compra, embora se interesse cada vez mais pelo sistema. Na prática, isso significa que o empreendedor deve estar preparado para administrar um lucro modesto nesta fase de consolidação do mercado virtual de moda. Pelo menos até sua loja conquistar a confiança dos consumidores.

“Atualmente, o ticket de quem consome moda pela internet é baixo, mas a tendência é que os gastos com roupas e acessórios aumentem a medida que o cliente sinta-se seguro em relação a sua compra”, explica Cris.

Arriscar
“Este é um segmento que não permite ao empresário ter medo de ser vanguardista”, diz Mariana, da OQVestir. Ela pondera, também, sobre a importância do empresário seguir sua intuição. “Chegamos a fazer reformulações no site sob orientação de consultores. Nosso erro foi consultar homens com uma visão muito focada em vendas. Nossas clientes não gostaram da nova cara e tivemos que refazer tudo”, conta a empreendedora, que hoje comemora com as sócias o crescimento do negócio.

Atento às mudanças no segmento de moda brasileiro, o francês Pierre Joffre abandou o emprego que tinha no grupo LVHM, onde representava marcas internacionais como Louis Vuitton, Marc Jacobs, Kenzo, Givenchy, entre outras, para fundar a Coquelux, loja virtual que também funciona como clube de compras para artigos de grife.

O conhecimento adquirido durante sua atuação no mercado de moda internacional ajudou Pierre a perceber todo o potencial do segmento no País. Por isso, o empreendimento deu resultados rapidamente. E o empresário também chamou a atenção de investidores externos.

A expectativa é que até junho deste ano o empreendimento cresça 500%. “Apostamos na oferta de descontos para pessoas que já estavam acostumadas a comprar luxo em viagens internacionais. A familiaridade delas com as marcas ajudou a quebrar a resistência inicial de efetuar uma compra sem experimentar a roupa”, revela o empreendedor.

Pierre também teve cuidado especial com o atendimento prestado pela Coquelux após a compra ser efetivada pelo consumidor. Segundo ele, adotar uma política transparente sobre troca e eventual cancelamento do pedido o ajudou a conquistar de maneira rápida a clientela.

Objetivo
O atendimento eficiente parece ser mesmo uma das chaves para o sucesso no ramo. Mas quem pretende abrir uma empresa no segmento precisa saber, desde já, que trata-se de um setor que desperta mais a atenção do público feminino. Ter isso em mente é fundamental antes de gastar tempo e dinheiro na elaboração de um projeto.

A boa notícia é que o fenômeno de compras de roupa pela internet veio mesmo para ficar. “Não vamos passar por uma bolha. Pesquisas recentes mostram que moda e acessórios já entraram no ‘top 5’ dos segmentos que alavancam as vendas na internet no Brasil”, reforça a especialista Chris Rother, diretora de negócios da e-bit.

Texto extraído de http://pme.estadao.com.br/noticias/noticias,mercado-virtual-da-moda-veio-para-ficar-conheca-oportunidades-para-pequenas-empresas,1637,0.htm