14 novNike inicia operação de varejo na internet

Escrito por Marina Falcão, da Valor Econômico

nike ecommerce

Com lançamento de sua própria plataforma on-line no Brasil há um mês, a Nike projeta que as vendas pela internet alcancem entre 20% e 25% do seu faturamento no país em no máximo dois anos. E daqui a cinco anos, a meta é ter um faturamento total de US$2 bilhões no Brasil, que já é seu terceiro maior mercado, atrás de Estados Unidos e China.

A estimativa para a operação on-line também os negócios da marca – a maior de artigos esportivos do mundo – com varejistas locais que operam pelo canal virtual há mais tempo. É o caso da Netshoes e, mais recentemente, da Centauro, que se consolidou no varejo físico e este ano montou um projeto agressivo para avançar na internet.

Presidente da Nike no Brasil, Cristian Corsi diz que o lançamento da plataforma de comércio eletrônico é a “última fronteira” de negócios em que a Nike está investindo para conseguir cumprir a meta de atingir faturamento de US$ 2 bilhões em cinco anos no Brasil. Para tanto, a Nike terá que crescer, na média, “dois dígitos altos” por ano, no país.

O Brasil é o oitavo mercado em que a Nike lança sua loja virtual. Para Corsi, trata-se da ferramenta mais eficiente de conexão direta com seus consumidores, principalmente os mais jovens.

Por ora, não há necessidade de investimento em um novo centro de distribuição para dar suporte às vendas on-line, diz Corsi. Com a unidade no Estado São Paulo, a companhia consegue entregar os produtos comprados na Nike.com ao consumidor em um prazo de um a dois dias em São Paulo e, a partir de dois dias, no restante do país.

A Nike opera no Brasil principalmente pelo canal multimarcas, no qual a empresa faz negócios com 2,5 mil comerciantes diferentes. Uma fatia bem menor das vendas vem das 30 lojas exclusivas que a companhia tem hoje no país com parceiros locais.

Até a Olimpíada de 2016, a ser realizada no Brasil, a Nike quer abrir pelo menos mais 20 novas lojas monomarca, ou seja, que vendem apenas produtos de sua marca. Além disso, a empresa pretende inaugurar mais três lojas-conceito próprias, em São Paulo e Rio. Uma unidade com esse perfil, que a Nike chama de “brand experience” (algo como “experiência da marca”), já foi inaugurada na praia de Ipanema, no Rio.

A companhia teve vendas líquidas globais no ano fiscal de 2013 (encerrado em maio) de US$ 25,3 bilhões, com aumento de 8,4% sobre o ano fiscal de 2012. No mesmo período, o lucro líquido da Nike subiu 12%, para US$ 2,5 bilhões.

A companhia não abre a receita apurada no Brasil. Mas informa que, com o crescimento acelerado dos últimos 12 meses, a operação brasileira ultrapassou a do Reino Unido e se tornou a terceira maior da Nike no mundo, atrás apenas de Estados Unidos e China. Juntos, estes dois países representaram mais da metade das receitas globais da empresa no ano fiscal de 2013.

Cerca de 45% do que a Nike vende no Brasil é produzido localmente por 20 empresas terceirizadas. O restante vem de fora do país. As camisas oficiais da seleção brasileira para a Copa do Mundo serão todas produzidas localmente, adianta o executivo, com um “método inovador”. A matéria-prima utilizada no procedimento será garrafa Pet – oito garrafas para cada camisa – da qual será extraído um fio para confecção.

Patrocinadora oficial da equipe de futebol do Brasil, a Nike não revela quanto vai gastar com marketing por causa da Copa em 2014. Corsi diz que os investimentos da companhia no Brasil, considerado uma peça-chave, independem dos dois grandes eventos esportivos programados.