23 janNúmero de franquias brasileiras nos Estados Unidos cresce 62% em quatro anos

Escrito por Felipe Maia, da Folha de São Paulo

Unidade do Giraffas em Miami

Unidade do Giraffas em Miami (EUA)

O Brasil tem hoje 105 marcas de franquias com atuação no exterior, o que representa 3,8% do total. O número é modesto, mas representa um aumento de 62% em relação a 2010, quando 65 empresas desse setor tinham atuação internacional, de acordo com uma pesquisa da ESPM.

André Friedheim, diretor internacional da ABF (Associação Brasileira de Franchising), diz que esse número tende a mudar, entre outros motivos, em razão do cenário de baixo crescimento do Brasil. “O franchising é expansionista por natureza. O mercado interno sofrendo pode animar a busca pela internacionalização para manter o ritmo de expansão”, afirma.

Outro fator é o próprio processo de aprendizado das empresas, com grandes redes se voltando a se aventurar no exterior com novos modelos depois de terem tido experiências ruins.

A rede de moda feminina Carmen Steffens, que tem 510 lojas no Brasil e mantém unidades no exterior há 12 anos, fechou ao menos oito delas por terem sido abertas “no lugar errado e pela pessoa errada”, segundo Mario Spaniol, presidente da empresa. “Não tínhamos política na hora de abrir a loja. Encontrávamos alguém que quisesse abrir e abríamos”.

Há seis anos, a companhia decidiu mudar de estratégia e passar a investir sozinha nas primeiras unidades em um país, entender as adaptações necessárias e só depois vender franquias.

Na França, onde a marca está há cinco anos, apenas neste ano começarão a ser buscados franqueados.

O objetivo da Carmen Steffens é estar em 50 cidades do mundo até 2020. Hoje, está em 15.

A rede de alimentação Giraffas também está no processo de repassar restaurantes próprios na Flórida (EUA) para a mão de franquueados, depois de um período de experiência. “A gente não queria fazer testes com o dinheiro alheio”, diz João Barbosa, presidente-executivo da empresa nos Estados Unidos.

Barbosa diz que esse período foi necessário para fazer adaptações de cardápio e também para reduzir o custo de abertura de uma loja: a primeira custou US$1,8 milhão, valor que hoje foi reduzido para US$650 mil – isso foi possível por causa do aumento do volume de compras, que dá poder de barganha com os fornecedores, e também ajustes no projeto.

A companhia chegou ao país em 2011, e hoje tem 11 restaurantes – em outubro do ano passado, cinco deles passaram às mãos de franqueados. O plano é que a 12ª unidade, que deve ser inaugurada em fevereiro, também seja uma franquia.

Texto extraído de: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/01/1573255-numero-de-franquias-brasileiras-nos-eua-cresce-62-em-quatro-anos.shtml