05 outO aumento das compras pela internet e seus reflexos para o pequeno comércio

Por Kenyth Alves de Freitas

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No ano passado, vários jornais, blogs e páginas do Facebook, divulgaram a petição assinada por “comerciantes e trabalhadores de Viçosa” que exigiam a proibição da internet no município localizado no interior de Minas Gerais. Alegando que a rede mundial de computadores causava prejuízo ao varejo local, os comerciantes justificavam que era impossível competir com os preços inferiores cobrados pelas lojas da internet.

De acordo com o texto da petição, as grandes redes virtuais praticavam a “concorrência implacável, desumana, absurda e insana” e que vários empregos haviam sido extintos na cidade em função desse comércio. É claro que a petição foi levada em tom de brincadeira (mesmo tendo sido assinada por 175 pessoas). No entanto, o assunto é sério, e não se restringe às cidades mineiras.

Entre as principais tendências identificadas para o varejo brasileiro, o aumento das compras pela internet se destaca. De acordo com o IBGE, as vendas no comércio tiveram uma queda de 4,3% em 2015, e as projeções para esse ano não são animadoras. Na contramão dessa tendência, o varejo virtual cresceu impressionantes 15,3% de acordo com a E-bit, consultoria especializada em e-commerce. Mas porque o varejo virtual consegue crescer mesmo em tempos tão difíceis como o que estamos vivendo?

Pelo fato que essas empresas atuam em escala nacional, ou mesmo global e, por isso, vendem em volumes muito superiores às lojas físicas. Sendo assim, são capazes de negociar preços mais baixos com seus fornecedores e, por sua vez, vender produtos mais baratos aos consumidores. Diferente dos pequenos comerciantes, que por comprarem quantidades menores, são incapazes de conseguir bons preços de seus parceiros. Além disso, o comércio tradicional precisa arcar com custos que o varejo virtual não possui, entre eles: o valor do aluguel da loja, o salário dos atendentes, gastos com segurança, inadimplência, entre outros. Mas, então, qual o futuro do pequeno comércio? Reduzir até se tornar irrelevante? Ou mesmo, desaparecer?

Felizmente, não. O futuro do comércio é se adaptar à nova realidade imposta pela Era da Informação. No entanto, isso exigirá que os comerciantes melhorem os serviços ao cliente. Primeiramente, é necessário aperfeiçoar o atendimento prestado. Vale lembrar que esse quesito não é apenas realizado pelo vendedor, mas por toda equipe da loja (dono, gerente, caixa, auxiliar, segurança, entre outros). Logo, todo time deve passar por um severo processo de seleção e treinamento, visando conscientizar esses profissionais dos benefícios de um melhor relacionamento com o cliente.

Aliado à atuação no pós-venda, o varejista mostrará aos clientes que a empresa não está interessada apenas na venda circunstancial, mas na formação de um vínculo pessoal e duradouro. De acordo com o instituto de pesquisa Euromonitor, o relacionamento pessoal é um dos grandes “trunfos” do pequeno comércio, seja ele localizado no interior ou na capital. O varejo que consegue proporcionar esse tipo de relação tende a manter os clientes fiéis por mais tempo, mesmo com preços superior aos concorrentes.

Outra forma de conquistar o cliente, é oferecer um atendimento rápido e conveniente. Mesmo em cidades do interior do país, a maioria das pessoas vivem rotinas sem muito tempo disponível. Por isso, o consumidor tende a não ter paciência com filas ou compras demoradas. Na verdade, a maioria das pessoas considera esperar em filas extremamente desagradável. Logo, lojas que ofereçam um atendimento rápido e com facilidade de acesso, como estacionamentos ou localização privilegiada, tendem a atender melhor os clientes.

A fidelização dos clientes pelo atendimento diferenciado pode ser uma boa estratégia de propulsão das vendas. A internet, como os demais avanços tecnológicos ao longo da história, não será barrada ou proibida (Ufa!). Cabe aos pequenos comerciantes brasileiros se adaptarem à nova realidade. Para isso, será necessário empenho e trabalho duro para superar esse desafio. Nada que esses empreendedores não sejam capazes de vencer.