19 agoO que esperar do varejo e como agir neste ano?

Por Daniel Zanco, sócio-diretor da Universo Varejo

varejo crise

Ficamos preocupados ao notar que, há exatamente um ano atrás, compartilhamos algumas dicas para varejistas que já haviam começado a enfrentar um momento difícil para o segmento.

Um ano se passou, a situação se agravou e mais varejistas estão aflitos com o cenário atual e com as perspectivas futuras. O fato é que os indicadores apontam para um 2016 ainda incerto e desafiador, com dólar mais alto (podendo ultrapassar os R$ 4,00 segundo alguns analistas) e com a péssima combinação de juros e inflação altos.

Em meio à toda esta turbulência, ainda é possível destacarmos casos de sucesso de operações como Renner e Riachuelo, dois gigantes que tem investido muito no binômio “execução e inovação” para aumentar sua participação de mercado. A lógica por trás deste crescimento é elementar – se o bolo não aumenta de tamanho e você quer um pedaço maior, terá que pegar o pedaço de alguém. E é isso que esses e alguns outros varejistas estão fazendo: expandindo seu market share a partir de melhorias nas operações e falhas da concorrência.

O que devemos fazer enquanto os fatores externos não ajudam? Este é o foco desse texto e a resposta está dentro do nosso negócio. Precisamos, em tempos de maré baixa, fazer mais com menos, fazer melhor ou “tirar leite de pedra”, como se diz popularmente.

Para isso, vale reavivar algumas dicas já citadas sobre o tema e complementar com outras tão relevantes quanto:

– Reduza seu custo de ocupação: Muitos shopping centers e donos de imóveis (não todos) começam a perceber que seus aluguéis estão inflacionados e que vale a pena negociar um pagamento menor do que representar mais um imóvel fechado na rua ou no mall. Presenciamos um caso na Universo Varejo onde houve a redução de espantosos 55% em um aluguel num ponto de rua.

– Treine muito: Treinar é investir. Gente competente, motivada e preparada pode ser um dos elementos que fará a sua fatia do bolo crescer. Motive seu pessoal, crie um senso de “desafio a vencer”, entregue conhecimento aplicável a eles e os resultados aparecerão.

– Faça da sua loja um lugar de lazer: Consumidores não querem apenas um lugar para encontrar produtos – o ecommerce faz essa função. Eles querem um lugar onde possam se divertir, aprender, interagir, passear e vivenciar experiências positivas. Gerencie os elementos de experiência de compra (se pesquisar em nosso blog, verá bastante conteúdo sobre o tema) e transforme a sua loja no lugar onde o consumidor queira passar seu tempo livre.

– Controle gastos: Já ouviu falar que varejo é economia de migalhas? Em um negócio de margens tão apertadas, rever contratos, buscar novos fornecedores, analisar despesas e gastar bem é indispensável.

Não confunda controle de gastos com economia burra (aquela que tira eficiência) ou com corte de bom pessoal – essas pessoas farão falta no futuro, e formá-las custou caro.

– Avalie bem a expansão: Novas unidades – próprias ou franqueadas – apenas em praças onde há garantia de sucesso. Praças incertas em momentos de dúvida são sinônimo de dor de cabeça.

– Compre melhor: Varejo é também uma ciência de compra. Técnicas de planejamento de compra, como open to buy, devem ser constantes, a fim de minimizar os erros e maximizar as margens. Apenas com análise e planejamento é possível reduzir as incertezas. 

– Invista em tecnologia: A tecnologia aplicada ao varejo possibilita grande aumento da eficiência, tanto pela análise avançada de dados, como pela gestão a distância do ponto de venda, dos processos e de pessoas. Usar de forma inteligente softwares desenvolvidos para o varejo diminui a dependência das pessoas e as deixa voltadas para a ação com base em dados, e não na coleta destes.

– Gerencie o produto: sobretudo para alguns mercados como o varejo de moda – em que o produto é extremamente perecível – uma eficiente gestão do ciclo de vida do produto, com remarcações preventivas, controle de exposição, ações de impulso de vendas e precificação inteligente podem fazer a diferença entre o lucro e o prejuízo, a partir da elevação dos mark ups ocasionada pela redução dos saldos liquidados ao fim dos ciclos de vendas.

Sabemos que futuramente estes pontos serão requisitos para a sobrevivência dos negócios em um mercado extremamente competitivo e exigente. Hoje, porém, há ainda muito espaço para crescer realizando o básico de forma bem feita, com excelência na execução, alta produtividade e atenção aos detalhes.

Por fim, não deixe de acreditar e investir. Seu time perceberá isso e agirá conforme suas convicções. O momento é como estar andando em uma grande escada rolante rumando para cima (nosso mercado) que repentinamente para com você no meio do caminho.

Vai ficar esperando a escada voltar a empurrá-lo para cima ou andará com suas próprias pernas para onde quer chegar?

Pense nisso e boas vendas!