21 dezOs dez desafios do varejo brasileiro para os próximos anos

O último trimestre de 2010 marca os dois anos da mais recente crise econômica global. Os efeitos desta crise (a pior desde 29 para o mercado americano) parecem ter sido pequenos no varejo brasileiro, o que nos possibilita olhar para frente, projetando um cenário otimista – porém com ressalvas. Ao analisarmos nossas peculiares características e os acontecimentos e tendências desse mundo cada vez mais globalizado, DEZ desafios surgem:

1. Entrada de competidores internacionais – com as modestas (quando positivas) taxas de crescimento dos países desenvolvidos e as dificuldades de operar em alguns dos países em crescimento, que possuem culturas fechadas e economias desorganizadas, o Brasil cada vez mais aparece como a bola da vez. Muitos olham para o Brasil como a “nova America”, com uma população grande e disposta a consumir. Estes competidores chegam ao Brasil com potencial de investimento, força de marca, gestão profissional e sede de resultado. O desafio para o varejista brasileiro é fazer o fato de “jogar em casa” pesar a seu favor nesse momento.

2.Formalização – a nítida evolução dos sistemas de arrecadação e fiscalização do fisco brasileiro estão abrindo um caminho sem volta  para a formalização de todas as operações varejistas. A ineficiência operacional não mais poderá ser compensada com pagamento reduzido de impostos e o empresário varejista que demorar para compreender isto será atropelado pelos mais rápidos e eficientes.

3.Cobertura Nacional – a crescente competitividade e busca pela eficiência fará com que as economias de escala sejam fundamentais para que os varejistas tornem-se mais fortes. Num cenário em que as maiores taxas de crescimento encontram-se em regiões do Brasil até ontem desconhecidas para muitos, a corrida para o atendimento nacional será inevitável. Como em qualquer corrida, quem largar na frente tem vantagem.

4.O apagão de mão de obra – a informalidade das operações, a ausência de planos definidos de carreira, as jornadas de trabalho desgastantes e as fracas (quando existentes) políticas de recursos humanos dos varejistas brasileiros criaram uma imagem em muitos empregados, de que o varejo é quase um sub-emprego ou uma ocupação temporária. Mudar essa imagem é fundamental para atrair novos talentos, reter os atuais e sustentar o crescimento.

5. A sucessão nas empresas familiares –  O forte crescimento econômico das décadas de 50 (média de 7,1%), 60 (media de 6,1%) e 70 (média de 8,9%) deu oportunidade a inúmeros audaciosos empreendedores, que  construíram impérios familiares na indústria e no varejo e que hoje, com idade elevada, enfrentam o desafio da sucessão. As novas gerações, por muitas vezes, apesar de mais tecnicamente preparadas não possuem a vivência do negócio, a visão dos riscos e a confiança de seus liderados. E isso pode ser um (grande) problema.

6. Preparação para o fornecimento global – Como dito por Thomas Friedman, o mundo é plano. E está ficando cada vez mais plano e  menor. Nos próximos anos tornar-se-á impossível buscar novos fornecedores sem avaliar as possibilidades fora das fronteiras nacionais. A China será cada vez mais a “fábrica do mundo” como dito por Kotler e o varejista que não perceber isso, será engolido por seus concorrentes. As marcas próprias serão estratégicas para muitos negócios e o fornecimento internacional, em muitos casos, a única opção.

7. Uso intensivo da tecnologia – seja para monitorar os padrões de consumo dos clientes, para controlar a operação logística, para reduzir as filas no PDV, para analisar melhor o crédito, para comprar com mais precisão ou para reduzir gastos operacionais, a tecnologia, tanto em forma de sistemas ou equipamentos, será figura de destaque nos varejistas de sucesso nos próximos anos.  O emprego eficiente da tecnologia será condição obrigatória para a obtenção da eficiência.

8. A agregação de valor – seja pela experiência de compra, pela comunicação, pelo entretenimento, pelos serviços ofertados ou pela força de marca, o varejista deverá buscar diferenciação para sobreviver no cenário competitivo dos próximos anos. Conveniência e produto tendem a ser diferenciais cada vez menos relevantes, num mundo globalizado de produtos tecnologicamente similares, vendidos em operações multicanais.

9. A concentração na indústria – O Brasil passa por um processo de consolidação em diversos setores da indústria, desde as de produtos financeiros às de bens de consumo. A menor quantidade de fornecedores dará a eles (indústria) aumento no poder de negociação (que hoje está muito mais com os varejistas) e oprimirá aqueles que não desenvolveram marcas próprias fortes, fornecedores globais e parcerias estratégicas.

10.  Atuação multicanal – pode-se imaginar que a internet no Brasil já está muito difundida, mas o fato é que há ainda muito o que evoluir. Apesar de muitos navegantes, temos ainda poucos compradores, se nos compararmos com países desenvolvidos. Vender na web será, em algum tempo, pré-requisito para sobreviver. Explorar bem todas as formas de contato com este novo consumidor extremamente dinâmico, informado, acessado e infiel, e estar onde ele quiser, da forma que ele quiser, será indispensável.

 

Colocados os desafios, cabe a você – varejista brasileiro – usar essa enorme criatividade e capacidade de adaptação, para continuar crescendo e vencendo, neste varejo brasileiro ainda em maturação e cheio de oportunidades.

Pense nisso e boas vendas !

 

Daniel Zanco