22 marPonto Comercial, o desafio para o crescimento

Escrito por Daniel Zanco, sócio-diretor da Universo Varejo

Se conversamos com varejistas em fase de expansão de suas redes, provavelmente a maioria deles comentará que enfrenta dificuldades em encontrar bons pontos comerciais a preços aceitáveis. Essa questão sempre esteve na pauta de discussão dos varejistas brasileiros, mas parece ter ganhado ainda mais importância nos últimos três anos.

Um dos fatores que leva a essa realidade é o grande crescimento do setor de franquias, que segundo a ABF, contou em 2011 com quase 7000 unidades a mais do que em 2010. Boa parte delas demandaram pontos comerciais para instalar suas operações.

Varejistas reclamam que os altos custos de ocupação e a inflexibilidade de Shopping Centers, muitas vezes inviabilizam a abertura de novas unidades. Para os mais de 570 Shoppings tradicionais do Brasil (segundo a Alshop), a negociação deve se manter dura, já que em muitos casos há filas de operadores esperando um espaço para ser ocupado, pagando o valor proposto pelos incorporadores. Os indicadores mostram que o mercado imobiliário se manterá aquecido no que se refere à locação de pontos comerciais.

Nesse caso, restam algumas alternativas para os varejistas, como:

–    Redesenho dos formatos de loja -> nem sempre uma loja menor significa venda menor. Algumas redes tem procurado otimizar seus projetos e reduzir o mix de produtos para que suas operações caibam em pontos comerciais menores, viabilizando a presença em locais em que a relação entre venda e custo de ocupação é desfavorável.

–    Rua ao invés de Shopping -> outra alternativa para algumas regiões específicas é a instalação de unidades em rua comerciais. Essa alternativa não cabe a todos os modelos de negócio, principalmente no caso daqueles que possuem característica forte de conveniência. Nas operações vistas como destino (quando o consumidor sai da sua casa para ir somente àquela loja) essa pode ser uma alternativa interessante.

–    Centros de Serviço e Conveniências -> Um meio termo entre o Shopping Center e a rua são os pequenos centros de conveniência, que oferecem geralmente espaço de estacionamento compartilhado e abrigam um número pequeno de locadores. Esses centros tem crescido, sobretudo pela dificuldade de deslocamento nas grandes cidades brasileiras, que impulsionam o consumidor a comprar cada vez mais próximo da sua casa e trabalho.

–    Compartilhamento de espaço físico -> Operações tanto de grande formato quanto de tamanhos mais reduzidos já estão percebendo que dividir um mesmo espaço físico (ou uma grande área, como o caso de supermercados e home centers) pode trazer inúmeros benefícios, como redução de custo de ocupação, rateio das despesas de manutenção e aproveitamento do fluxo compartilhado.

–    Associação entre varejistas -> ainda pouco presente no Brasil, a associação entre diversos varejistas com visibilidade de marca pode conceder a grupos organizados uma maior força de negociação junto a Shopping Centers, tanto pelo busca de melhores espaços, quanto de melhores preços. Infelizmente a gestão na maioria das redes é muito individualizada, o que dificulta esse tipo de associativismo.

O fato é que o mercado de varejo e franquias continua crescendo, principalmente no número de unidades instaladas e a questão dos pontos comerciais torna-se cada vez mais estratégica. Aqueles que conseguirem uma saída inteligente para esse problema, terão em mãos um grande diferencial competitivo.

Pense nisso e boas vendas!