15 janPrimeiras impressões sobre a 101ª NRF Retails Big Show

Escrito por Daniel Zanco, sócio-diretor da Universo Varejo, que acompanha com exclusividade o Grupo da Alshop na 101a. NRF em NY.

A quantidade de brasileiros presentes nos corredores do Jacob Javits Center foi o que chamou a atenção logo de início na 101ª NRF Retail’s Big Show. Podemos dizer que o enorme pavilhão de convenções, onde o evento é realizado anualmente aqui em Nova York, é um pedaço do Brasil nos Estados Unidos.

Conforme já era esperado, a tecnologia e o comportamento cada vez mais digital dos consumidores foram os destaques do dia, começando com a apresentação de uma pesquisa sobre a experiência de compra – liderada por Cathy Halligan da Power Reviews, no painel de especialistas do varejo, cujos resultados apontaram que o consumidor tem ido em busca de lojas eficientes, com precificação, caixa ágil, exposição prática e vendedores preparados para orientá-los. Com a pesquisa, observou-se também que os jovens estão utilizando cada vez mais as redes sociais e opiniões de outros consumidores como fonte de informação para suas compras.

Na palestra “Novas estratégias de merchandising para o crescimento do varejo” – apresentada por Craig Riner (Rite Aid Corporation), Kerry Cooper (ModCloth Inc.), Michele Klingensmith (GlaxoSmithKline Consumer Healthcare) e Tom Ryan (Threadless), foi ressaltada a importância do varejista ser relevante nas suas comunicações, criar hábitos e ações digitais dentro da loja tradicional, a fim de incrementar a experiência de compra e fazer planejamentos antecipados, para garantir melhor execução das atividades. Este, aliás, é um ponto em que muitos varejistas brasileiros ainda falham.

Outra apresentação bastante interessante foi feita por varejistas europeus, liderados pela Planet Retail, onde nos contaram quais estratégias estão adotando para enfrentar a séria crise no continente. Frederico Santos, diretor de inovação do grupo português Sonae, contou que eles entendem que preço, variedade e conveniência são grandes diferenciais, e estes pontos são trabalhados exaustivamente nas operações da rede. Uma operação que funciona bem, fazendo uso intensivo da tecnologia, seja na gestão de datas de vencimento ou no self-checkout, ajuda a potencializar os resultados, fazendo com que algumas lojas do grupo possuam área de influência de até 100 km. Ainda assim, o índice de rastreamento do consumidor é altíssimo, sendo que 85% deles compram com o cartão fidelidade da rede.

No mesmo painel, Ricardo Sperrie, CIO da rede Kaiser’s Tangelmanm, contou que o comportamento online do consumidor tem inspirado as ações nas lojas físicas, fazendo com que tragam elementos da web para a loja, como um guia de vinhos onde os clientes dão sua opinião sobre os rótulos e a possibilidade de, fisicamente, avaliarem e comentarem sobre os produtos, assim como no mundo virtual.

Já o painel “Global Retail Forum”, coordenado pela Deloitte, apresentou um panorama sobre a economia mundial, com visões bastante preocupantes acerca da Europa, e esperançosas em se tratando do mercado americano. Representada por Ira Kalish, a Deloitte também apresentou seu tradicional estudo, “Os Gigantes do Varejo Global”, que, como previsto, trouxe Walmart, Carrefour e Tesco nas primeiras posições.

Antes das super sessions (sessões que reúnem todos os congressistas num amplo espaço), tivemos ainda a apresentação do caso da Áeropostale, que nos mostrou como o desenvolvimento de um aplicativo mobile, onde seus funcionários acessam seus compromissos com a empresa e as escalas de trabalho do próprio celular, ajudaram a relação com a geração Y. Houve, também, a apresentação de Flávio Rocha, da Riachuelo, que apresentou aos americanos seus agressivos planos de expansão para os próximos anos.

Após o almoço, duas super sessions foram apresentadas, sendo a primeira realizada pela IBM, com ares de superprodução, onde Jon Iwata debateu a respeito da explosão de dados que temos hoje, originados numa velocidade nunca antes vista em diversas fontes. Ele também comentou o resultado de uma pesquisa que apontou que 80% dos diretores de marketing usam apenas dados históricos para analisar seus consumidores; não fazem previsões de situações. O debate contou até com a presença do supercomputador Watson da IBM, que venceu um talk show de perguntas e respostas, como forma de mostrar os recursos disponíveis pela gigante da tecnologia.

Por fim, Doug Mack, da King’s Lane, e Jennifer Himan, da Rent The Runaway (um site que aluga peças de grifes conhecidas para quem não quer adquirir um item), fizeram parte do último painel do dia. As novas fronteiras do ecommerce, que estão totalmente associadas às redes sociais e ao comportamento dos consumidores, foi o foco deste debate. A relação da Rent The Runaway com as redes sociais é tão grande que sua co-fundadora atribui ao Facebook o principal motivo do sucesso de seu negócio, já que as consumidoras não querem repetir um vestido ou bolsa nos seus álbuns de fotos compartilhados com amigos e amigas pela poderosa ferramenta.

Nesta segunda-feira há uma grande expectativa para o início da EXPO – feira com as soluções para o varejo, que faz parte da NRF, e, principalmente, para o discurso do ex-presidente Bill Clinton, em uma das super sessions.