12 novProdutos importados da China predominam neste Natal

Por Márcia De Chiara, do Estado de São Paulo

natal

Os produtos importados da China continuam predominando no Natal deste ano, apesar da disparada do dólar que, nos últimos 12 meses, acumula alta de qusae 50% em relação ao real. Boa parte da oferta de itens asiáticos expostos nas lojas hoje é estoque remanescente, pois as vendas por ocasião da data em 2014 ficaram abaixo do previsto.

Mesmo que parte dos produtos seja sobra, o consumidor não vai encontrar neste ano preços do Natal de 2014 para os mesmos itens. No Natal do ano pasasdo, o dólar estava cotado a R$2,55. Ontem fechou em R$3,76. De um lado, pressionados pela elevação do câmbio e, de outro, pelo consumo fraco, os varejistas dizem que estão repassando apenas parcialmente a alta do dólar para os preços em reais dos importados.

Mas quem percorre as lojas da região da rua 25 de Março, no centro da capital paulista, o maior polo comercial do País, especialmente de produtos chineses, constata que os importados estão mais caros em comparação ao Natal de 2014, com reajustes até equivalentes à alta do câmbio, apesar de as lojas anunciarem descontos.

Um levantamento informal feito pelo Estado com vendedores revelou aumentos de preços para produtos idênticos. Um enfeite de árvore de Natal, por exemplo, que custava R43,49 no ano passado, agora é vendido por R$5,36, na Armarinhos Universal. O reajuste é superior a 50%. Já na concorrente Rei do Armarinho, um pisca-pisca com cem lâmpadas de Led sai por R$12,20. No Natal de 2014, custava R$11,50. O aumento é de 6%.

“O mercado não está fácil e estamos repassando o mínimo necessário do câmbio para os preços”, afirma Pierre Sarruf, diretor do Rei do Armarinho e da Univinco, associação que reúne 3 mil dos lojistas da região da 25 de Março.

Gustavo Dedivits, presidente da Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Bens de Consumo (Abcon), que reúne hoje 48 empresas que abastecem os varejistas, diz que os importadores não compraram praticamente nada para o Natal. “Estamos trabalhando com estoque antigo. Este é o nosso pior ano”. Ele conta que, de janeiro a outubro, as vendas do setor caíram 60% ante 2014.

O presidente da Abcon relata que, diante da alta do câmbio, há brasileiros, que são importadores de ocasião, que abandonaram as encomendas e deixaram os chineses sem receber.

Diante da fraqueza do mercado, David Zalim, diretor da importadora Iedek, que trabalha com bens de consumo fabricados na China e abastece grandes varejistas, diz que optou neste ano por trabalhar com estoque antigo. “A reposição está muito difícil e não dá para repassar todo o câmbio para o preço: o mercado não aceita.”

Nacionais

Além das sobras do ano passado, a grande oferta de produtos importados da China se mantém porque não há possibilidade de substituir esses itens por produtos nacionais. “A indústria brasileira acabou”, diz Cleide Silva, gerente da varejista Matsumoto. Entre os milhares de itens expostos na loja da rua Barão de Duprat, na região da 25 de Março, ela aponta um só fabricado aqui: Papai Noel feito de origami.

Texto completo: http://economia.estadao.com.br/blogs/marcia-de-chiara/natal-deste-ano-continua-made-in-china-apesar-da-disparada-do-cambio/