06 fevRede de bijouterias, MyGloss, cresce no boca-a-boca

Escrito por Patrícia Lima, da PME

My Gloss bijouterias

Rodrigo Stocco, da MyGloss

A rede de lojas myGloss, especializada em acessórios como bolsas e bijuterias, tem uma trajetória incomum. A empresa só inaugurou a primeira loja em 2011, depois de acumular mais de 100.000 seguidores em sua página no Facebook, na qual estilistas da marca postam dicas de moda.

A estratégia do engenheiro Rodrigo Stocco, de 34 anos, dono da MyGloss, era formar uma lista de potenciais clientes antes de assumir despesas com pontos de venda e contratação de funcionários para as lojas físicas. “Deu muito certo”, diz ele. “Quando inauguramos a primeira unidade, havia uma fila de clientes na semana de inauguração.”

Hoje, a empresa tem 23 lojas no Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Norte e pretende abrir mais 35 nos próximos meses pelo sistema de franquia. O faturamento da rede em 2013 alcançou 15 milhões de reais, quase 50% mais do que em 2012. Com mais de 1,4 milhão de seguidores no Facebook, a MyGloss tornou-se um exemplo de marca capaz de gerar um bom engajamento nas redes sociais.

Em um estudo realizado no ano passado pela consultoria Dito, a MyGloss aparece na oitava posição entre as empresas com o maior número de fãs, atrás apenas de grandes marcas, como Havaianas, Cacau Show e O Boticário. “Costumo brincar que o modelo de negócios da MyGloss foi testado quase sem custos, somente usando o boca a boca gerado nas mídias sociais”, diz Stocco.

Ele teve a ideia de criar a empresa depois de se tornar franqueado de uma rede de lojas de bijuterias. “Eu trabalhava com vendas em uma multinacional e queria me testar como empreendedor”, afirma. “O resultado foi tão bom que resolvi largar o emprego e abrir uma marca própria.”

Stocco chamou a irmã, Katia, que é estilista e arquiteta, para desenhar as bijuterias. “O fato de termos nosso próprio design é um diferencial em relação aos concorrentes”, diz. Em seguida, o empreendedor criou uma página no Facebook para divulgar a marca. Para aumentar o número de seguidores e compartilhamentos de conteúdo, foram contratados estilistas para responder a dúvidas sobre moda.

Em 2012, para reduzir os custos e aumentar a competitividade, Stocco decidiu importar da Coreia cerca de 25% do total das bijuterias vendidas em suas lojas. “São itens básicos, como brincos de bolinha, mais baratos”, diz. “Com isso, ganhamos mais fôlego para ampliar a expansão.”

No ano passado, a empresa abriu 16 lojas, pelo sistema de franquia, em estados como São Paulo e Bahia. O crescimento acelerado da MyGloss despertou recentemente o interesse de estrangeiros em se tornarem franqueados da marca na Europa e nos Estados Unidos. “Estamos recebendo diversas propostas de gente de outros países para abrir lojas no exterior”, diz Stocco.

O empreendedor não pretende deixar de lado a expansão no Brasil. “Ao mesmo tempo, não gostaria de desperdiçar a oportunidade de iniciar uma operação internacional e expandir a MyGloss fora daqui”, afirma.

Para ajudar Stocco a refletir sobre a questão, Exame PME consultou o empreendedor Jae Ho Lee, presidente da rede de lojas de bijuterias Morana, e o consultor André Friedheim, da Francap, especializada em redes de franquias. Opinou também o empreendedor Marcelo Bae, sócio da Yogoberry, rede de lojas de sorvetes de iogurte do Rio de Janeiro.

Abrir unidades no exterior

Jae Ho Lee, da rede de franquias de bijuterias Morana (São Paulo, SP)

Faturamento 180 milhões de reais (2013)

• Perspectivas: O mercado de acessórios está em ascensão no Brasil e em outros países. Nos Estados Unidos, há um ambiente favorável à chegada de pequenas e médias empresas estrangeiras de diversos setores, inclusive as que trabalham com moda.

A Morana mantém uma loja em Los Angeles, por onde passam muito latinos, com bons resultados. Em Portugal, temos lojas em Lisboa e no Porto. A mulher portuguesa tem um gosto semelhante ao da brasileira para bijuterias, bolsas e outros itens de moda.

• Oportunidades: A princípio, empresas da área de moda, como a MyGloss, que tem milhões de seguidores nas mídias sociais, têm boa chance de conquistar clientes também no exterior. Mas antes é preciso estudar a fundo o comportamento do consumidor local, que pode ter peculiaridades importantes.

• O que fazer: Vale a pena ir para o exterior. Mas é preciso estar atento a eventuais adaptações que precisem ser feitas em relação ao posicionamento da marca e ao design dos produtos. Em Portugal, por exemplo, a Morana percebeu que cresceria mais ao focar o público de alto poder aquisitivo. No Brasil, a marca atende mais as mulheres de classe média.

Focar a expansão no Brasil

André Friedheim, da consultoria especializada em redes de franquias Francap (São Paulo, SP)

• Perspectivas: O crescimento da renda das mulheres, que têm presença cada vez maior no mercado de trabalho, está impulsionado o mercado de bijuterias, sapatos e acessórios no país. O setor alcançou um faturamento de cerca de 6,2 bilhões de reais em 2012, 15% mais do que em 2011.

As perspectivas são de que o mercado continue em ascensão. Com o sistema de franquia, que possibilita maior agilidade, a MyGloss pode ter um crescimento ainda mais expressivo no Brasil nos próximos anos.

• Oportunidades: A MyGloss ainda não está presente nas regiões Sul e Norte, para onde deveria ir agora. A empresa também poderia inaugurar pontos de venda em Minas Gerais e Pernambuco, estados nos quais as consumidoras em geral são ávidas por novidades em acessórios e a renda das famílias está aumentando.

O mercado interno deverá continuar se expandindo no país todo, mesmo que em 2014 isso aconteça em um ritmo menor do que nos anos anteriores, como temos observado.

• O que fazer: A empresa deve priorizar a expansão no Brasil, principalmente nos estados e nas regiões em que ainda não tem lojas. Eventualmente, se aparecer um parceiro muito bom no exterior, com experiência em produtos semelhantes aos fabricados pela MyGloss, Stocco deve analisar a oportunidade.

Marcelo Bae, da rede de lojas de sorvetes de iogurte YogoBerry (Rio de Janeiro, RJ)

Faturamento: 50 milhões de reais(em 2013)

Investir em países da América Latina

• Perspectivas: O mercado interno passou por um momento favorável nos últimos anos, mas o ritmo de crescimento está caindo. Em geral, quando uma empresa mantém operações no mercado externo, os riscos do negócio se diluem. Trabalhar em diferentes países é uma forma de resguardar a marca de oscilações regionais.

• Oportunidades: O principal risco de partir agora para o exterior é crescer demais e perder o controle. É melhor começar devagar. Recomendo manter equipes locais em cada país para fiscalizar o trabalho dos franqueados e acompanhar o dia a dia do negócio.

• O que fazer: Investir em mercados em ascensão em nosso continente, no qual vários países vêm crescendo. O Peru, cuja economia está se expandindo a uma taxa de mais de 5% ao ano, seria uma boa opção. Mas é necessário elaborar um plano de ação para acompanhar os resultados no exterior e ajustar as expectativas. Assim, é possível determinar os passos seguintes com mais segurança.

Texto extraído de: http://exame.abril.com.br/revista-exame-pme/edicoes/0069/noticias/na-boca-do-povo?page=1