Universo Varejo | Redes de franquias apostam em cidades do interior para expansão

06 novRedes de franquias apostam em cidades do interior para expansão

Por Pedro Arbex, do DCI

Com um custo operacional menor e um grande potencial de consumo, cidades fora dos maiores centros são principal foco para marcas como Chilli Beans, Domino’s e Rei do Mate

Com um custo de ocupação baixo e potencial grande de consumo, cidades do interior voltam a ser a bola da vez para grandes redes de franquias. Marcas como Chilli Beans, Domino’s Pizza e Rei do Mate afirmam que a maior parte das próximas aberturas de lojas, algo entre 70% e 80% do total, será em municípios fora dos maiores centros urbanos.

O processo de interiorização da operação ocorre por certa saturação das metrópoles, já bem ocupadas, mas também por uma mudança do perfil de consumo das cidades menores e um impulso da crise. No momento de crescimento da economia, explica o diretor de franquias do Rei do Mate, João Baptista Silva Jr., o estímulo para explorar outros mercados era menor, uma vez que as grandes capitais apresentavam crescimentos expressivos. “Quando veio a recessão, o interior tornou-se mais atrativo – em razão também do bom desempenho do agronegócio nesses locais.”

O cenário, somado à facilidade em encontrar pontos com um custo de ocupação baixo e uma boa lucratividade, tem levado muitas redes de franquias a focar a expansão da marca no interior dos estados brasileiros. O presidente da Chilli Beans, Caito Maia, afirma que a empresa, que possui hoje 805 lojas, pretende chegar a 1.100 nos próximos anos e que o foco principal serão as cidades fora dos grandes centros. “Das unidades que vamos abrir, 80% estarão em municípios do interior”, diz.

O movimento é uma realidade em todo o setor. Estudo divulgado recentemente pela Associação Brasileira de Franchising (ABF) mostra que, no estado de São Paulo, as cidades do interior têm crescido a um ritmo maior, em número de unidades, do que a capital. Municípios como Jundiaí, São José dos Campos e Piracicaba apresentaram, no primeiro semestre deste ano, uma expansão acima da média do mercado, de 15%, 13% e 12%, respectivamente, e superior também ao avanço de São Paulo, de 9% no mesmo período (veja mais no gráfico).

Os dados, na visão do presidente da entidade, Altino Cristofoletti Jr., confirmam o avanço da interiorização, que deve ocorrer de forma semelhante em outros estados do Brasil. O dirigente destaca custos de operação inferiores, bom desempenho da agricultura nesses locais e menor concorrência – em comparação aos grandes centros – como fatores que explicam o interesse das redes.

Por esses e outros motivos, a Domino’s Pizza, hoje com 200 lojas em operação, pretende ampliar sua atuação no interior de todo o País. Presidente do Grupo Trigo, holding que controla a marca no Brasil, Antonio Moreira Leite diz que a empresa enxerga um potencial de mais 600 operações da rede de pizzarias e que cerca de 70% das aberturas serão em cidades do interior. Ele cita, além de São Paulo e do Rio de Janeiro, estados como Salvador, Rio Grande do Sul e Paraná.

José Carlos Semenzato, presidente de uma das maiores holdings de franquias do setor, a SMZTO, também vê na interiorização o principal caminho para a expansão de suas marcas. De acordo com ele, o grupo está no momento com uma estratégia forte de expansão no interior para a marca Espaço Laser. “Já fechamos as cidades com mais de 100 mil habitantes e estamos no processo de entrar em mais 300 ou 400 cidades com menos de 100 mil”, diz.

Na holding, que detém além da Espaço Laser outras oito marcas de franquias, a participação das unidades do interior no faturamento global gira em torno de 30%. A perspectiva, no entanto, é um crescimento expressivo nos próximos anos, atingindo uma fatia de 50% do total. Um dos fatores que o executivo destaca é a maior lucratividade das unidades localizadas em cidades interioranas. “Estamos montando OdontoCompany no interior do País, em cidades com 40 mil habitantes e, em alguns casos, elas dão mais retorno para o franqueado que as cidades grandes.”

Margem de lucro maior

A maior lucratividade para o franqueado é resultado de um custo operacional muito baixo, em comparação aos grandes centros, e um faturamento que, mesmo inferior, acaba gerando um bom retorno na ponta. A perspectiva de uma margem de lucro maior foi citada por todos os executivos. Caito Maia, da Chilli Beans, exemplificou a situação: “Em algumas lojas [do interior] o aluguel é de R$ 2 mil, e o faturamento chega a R$ 70 mil. O retorno é excelente”, diz.

Para Moreira Leite, da Domino’s Pizza, a relação não é uma verdade absoluta, mas ocorre na maioria dos casos. “De fato há no interior uma estrutura de custos muito baixa e isso confere, potencialmente, um resultado maior para a loja”, afirma.

“Temos um franqueado na rede que acabou de assinar uma unidade de 200 metros quadrados no interior com um contrato de custo de ocupação de R$ 3 mil por mês. Você jamais encontraria uma oportunidade dessa nas capitais”, conclui.

Daqui para frente, a tendência é que o processo de interiorização continue ganhando força no setor, uma vez que sem a estratégia dificilmente as redes seguirão avançando com taxas elevadas. O diretor do Rei do Mate, Silva Jr., resume de forma enfática: “A manutenção do crescimento do negócio depende do fortalecimento da expansão para o interior do Brasil.”

Texto extraído de: http://www.dci.com.br/em-destaque/–redes-de-franquias-vao-abrir-ate-80–das-novas-lojas-no–interior-id661991.html