30 abrSaiba porque 96% do novo plano de O Boticário depende dos franqueados

Escrito por Marcela Ayres, da Exame.com

Reforma de suas 3.550 lojas está orçada em 1 bilhão de reais, mas o grupo desembolsará a menor parte disso

Nesta quinta, o grupo O Boticário abriu as portas da sua loja no Morumbi Shopping, em São Paulo, de um jeito diferente: agora, tablets e fones de ouvido explicam aos clientes a história por trás dos produtos. As fragrâncias campeãs de venda passaram a ser expostas em um “bar de perfumes”. Os homens ganharam um estande especial, apenas com itens masculinos, e uma ala para presentes chegou para incentivar a personalização das embalagens, inclusive com fotos recém-tiradas.

Por enquanto restrita a um único estabelecimento, as mudanças materializam um plano arquitetado há 18 meses pelo O Boticário – o de renovar o visual dos seus pontos de venda, reforçando a presença da marca. Mas embora a empresa tenha investido 3,5 milhões de reais na concepção do projeto, serão os franqueados os principais financiadores da empreitada.

A companhia estima que o investimento para mudar a cara de suas 3.550 unidades no Brasil vá consumir 1 bilhão de reais nos próximos quatro anos. Deste montante, apenas cerca de 40 milhões de reais – ou 4% do total – virão do bolso da empresa. Segundo Osvaldo Moscon, responsável pelo desenvolvimento de canais e franquias de O Boticário, os recursos serão utilizados na reforma das 135 lojas que pertencem à companhia.

A base

As demais estão nas mãos dos franqueados – um exército de cerca de 960 empresários. É como se cada um fosse injetar 1 milhão de reais no negócio até 2017, supondo que todos tivessem igual participação na rede (na prática, os desembolsos individuais irão variar em função do número de estabelecimentos e metragem das lojas).

De acordo com Moscon, o aporte não deverá ser um problema. Ele afirmou que nenhum projeto é tocado dentro da companhia sem considerar “o custo adequado para o retorno do franqueado”. Em outras palavras, a ordem é não comprometer – pelo menos substancialmente – a fatia do bolo daqueles que são, afinal, a força motriz de O Boticário, maior rede de franquias do país. A primeira loja reformada, inclusive, foi de uma empresária de São Paulo, e não da empresa.

O executivo acrescentou que a rede é “bem capitalizada” e, adicionalmente, conta com recursos disponíveis de instituições financeiras. Parceiro de longa data dos franqueados, o Banco do Nordeste é um deles. “A marca O Boticário tem 36 anos. E a relação média com os franqueados tem de 21 a 22 anos”, disse Moscon. “Pelo tempo de parceria, eles já sabem que de seis a sete anos a gente sempre faz essa renovação para modernizar o negócio”.

Estratégia

Em 2006, a varejista adotou mesas de experimentação para atrair o público. Em 1998, foi a vez de O Boticário acabar com o balcão que separava a vendedora dos consumidores. Desta vez, o lifting acontece pouco tempo depois da Natura anunciar a intenção de abrir 20 lojas-conceito no país. A francesa Sephora, do grupo LVMH, também causou barulho ao trazer no ano passado sua primeira loja física para o Brasil, reunindo em um único espaço uma série de marcas de beleza inéditas por aqui.

Artur Grynbaum, presidente do grupo Boticário, reconhece que a competição ficou mais acirrada – um cenário que justifica a aposta cada vez maior em diferentes canais de venda. “A plataforma multicanais é o futuro do varejo”, afirmou. “O cliente quer a conveniência, mas também a possibilidade de experimentação. Tudo sem perder em qualidade”.

Além de O Boticário, o grupo é dono das marcas Eudora (venda direta, lojas físicas e e-commerce), Skingen (e-commerce), quem disse berenice? (lojas físicas) e The Beauty Box (lojas físicas).

BNDES

De qualquer forma, os pontos de vendas continuam sendo “o cerne do negócio”, nas palavras do presidente do grupo. Em 2012, O Boticário faturou 6,9 bilhões de reais com as vendas fechadas nas lojas, um crescimento de 25% sobre o resultado do ano anterior.

Para alimentar a expansão de 20% esperada para 2013, a empresa também contará com a ajuda do BNDES. As linhas de financiamento contratadas com o banco público somam mais de 560 milhões de reais. Destes, 21,8 milhões de reais deverão ser usados na abertura de lojas. A expectativa é que 163 novos pontos sejam inaugurados até o fim do ano.

Texto extraído de: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/por-que-96-do-plano-de-o-boticario-depende-dos-franqueados?page=1