22 abrShopping Centers para público de classe média perdem espaço para varejo online

Por Suzanne Kapner – The Wall Street Journal

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A Restoration Hardware abriu uma ampla loja no ano passado no Cherry Creek Shopping Center, um shopping center de luxo em Denver, no Estado americano do Colorado. PHOTO: MARC PISCOTTY/GETTY IMAGES

Há alguns anos, a rede americana de móveis Restoration Hardware tinha três lojas em shoppings na região de Denver, no Estado do Colorado. Hoje, tem só uma nova: uma galeria de quatro andares, com visual palaciano e um jardim no telhado.

Varejistas que vão da Gap à Abercrombie & Fitch estão abandonado a antiga estratégia de aumentar as vendas cobrindo as cidades com lojas, à medida que cada vez mais os consumidores compram pela internet.

A mudança nos hábitos de compras têm levado empresas como a rede de departamentos Macy’s a fechar lojas em shoppings secundários, para se concentrar nas vendas on-line e em shoppings mais sofisticados.

A Restoration Hardware Holdings fechou suas três lojas mais antigas na área de Denver em meados do ano passado e abriu uma nova, de 6.500 metros quadrados, no Cherry Creek Shopping Center, um shopping de alto padrão que também hospeda marcas como Burberry.

A Restoration Hardware não quis comentar, mas sua mudança de direção é parte de uma grande reformulação dos shopping centers nos Estados Unidos.

“Com a tecnologia, os varejistas não precisam daquela loja extra em um mercado marginal”, diz William Taubman, diretor de operações da Taubman Centers, que é dona do Cherry Creek e opera principalmente shoppings de alta renda, os chamados shoppings “A”. Os shoppings regionais “B”, com foco na classe média, prosperaram por anos, mas agora estão perdendo consumidores e lojistas para os de padrão “A” — os que têm vendas anuais por metro quadrado acima de US$ 5.000, segundo a Green Street Advisors.

A firma de pesquisa do setor imobiliário estima que cerca de 44% do valor total dos shoppings nos EUA, que é baseado em dados como vendas, tamanho e qualidade, se concentra nas 100 principais localidades, num universo de cerca de 1 mil shoppings.

Quase todas as 40 lojas que a Macy’s fechou em 2015 estavam em shoppings dos padrões “B” ou “C”, de acordo com a Green Street. Para os shoppings com desempenho mais fraco, o fechamento de uma loja-âncora pode acelerar a espiral descendente que leva outros espaços a ficar vazios.

Mas nem todos os shoppings “B” estão em dificuldade. “Se eles são os únicos na cidade, correm menos risco”, diz DJ Busch, analista sênior da Green Street. “O que os prejudica é quando um shopping melhor é aberto nas proximidades.”

Os donos de shoppings discordam que a internet seja o principal problema. Eles citam mudanças demográficas que redirecionaram a população e o crescimento da renda para longe dos shoppings construídos anos atrás e o excesso de oferta que deixou os EUA com 2,2 metros quadrados de espaço de varejo por pessoa, ante 1,4 metro quadrado no Canadá e 0,07 metro quadrado no Brasil, por exemplo, segundo o Conselho Internacional de Shopping Centers.

Eles também ressaltam que o comércio eletrônico respondeu por apenas 7,5% de todas as vendas do varejo no quarto trimestre do ano passado, de acordo com a agência de estatísticas dos EUA. Mas, se você excluir os dados de itens de supermercado, reforma de imóveis e outros itens que geralmente não são comprados em shoppings, as vendas pela internet representam cerca de 20% do total do varejo, diz Busch.

Muitos dos shoppings de alto padrão estão atraindo como locatários restaurantes e academias sofisticados ou sediando eventos.

Isso está valendo a pena para varejistas como a Restoration Hardware. O diretor-presidente, Gary Friedman, disse a analistas, em março, que as vendas estavam entre duas e quatro vezes mais altas nos mercados onde a rede migrou para lojas maiores. “Ainda estamos no início da transformação dos nossos imóveis”, disse. “Todas as nossas galerias com design da próxima geração estão superando a previsão.”

A média de vendas por metro quadrado foi de US$ 8.610 por ano em 2015, uma alta de 57% desde 2005. Já no caso da CBL & Associates Properties, que opera shoppings de padrão “B” e “C”, a alta foi de 13%, para US$ 4.025, durante aquele período.

O diretor-presidente da CBL, Stephen Lebovitz, diz que os shoppings da empresa, que se concentram nos consumidores de renda média, não se beneficiaram tanto do recente boom nas vendas de produtos de luxo, mas não sofreram tanto com a recessão. Como resultado, o crescimento das vendas foi mais lento, mas mais constante.

Grandes operadoras de shoppings têm vendido imóveis com desempenho mais baixo e investido mais nos locais mais lucrativos. Ao longo dos últimos anos, a Westfield vendeu 36 shoppings nos EUA com baixo desempenho por cerca de US$ 5,9 bilhões. “Como locadores, estamos investindo em propriedades em que os varejistas querem estar”, diz Peter Lowy, um dos líderes executivos da Westfield.

Já quem está comprando os shoppings “B” vê oportunidade para melhorar a produtividade. A Starwood Retail Partners está incluindo restaurantes e novas lojas-âncoras no shopping The Shops at Willow Bend, em Plano, no Texas, que estava com 30% de desocupação quando ela o comprou da Taubman, em 2014. “Quando terminarmos, tenho certeza que será um shopping ‘A’”, diz Scott Wolstein, diretor-presidente da Starwood Retail.

Texto extraído de: http://br.wsj.com/articles/SB11674580490993444606104582020742956095410?tesla=y