16 abrShopping mais humano

Escrito por Ticiana Werneck, do Portal No Varejo

 

Ibevar investiga se modelo de lifestyle center é viável no Brasil

Estudo do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Bens de Consumo (Ibevar) investigou até que ponto o conceito de Lifestyle center é viável no mercado brasileiro de shopping center.
Temos como conceito de Lifestyle center um formato de shopping center criado nos Estados Unidos, tendo como principais características a construção horizontal, ambiente aberto e com o layout das lojas disposto em quadras, que se assemelham ao comércio de rua dos antigos centros
urbanos. O ambiente mais humano, facilita a convivência social. Suas operações de varejo possuem normalmente grande orientação para atividades de lazer, entretenimento, alimentação e serviços, podendo ser acompanhadas por empreendimentos comerciais ou residenciais em uso misto.
Segundo o professor Claudio Felisoni, coordenador geral do Provar/FIA, o objetivo do trabalho era avaliar as adaptações necessárias para a implantação desse modelo no Brasil. “Se analisarmos os gastos por tempo de visita veremos que ele, nos lifestyles centers americanos, é 44% acima do registrado nos shoppings tradicionais”, argumenta. Este dado já explica o interesse no formato que é pouco explorado aqui. Outro dado que ajuda a consolidar o interesse é o fato do brasileiro fazer forte relação entre shopping e ponto de encontro. “Temos a cultura de associar o shopping a lazer e o formato de lifestyle foca justamente nessa demanda”.
Para montar o estudo, o Ibevar e Provar ouviram lojistas e  executivos dos principais grupos empreendedores de shopping no Brasil. Na opinião deles, as vantagens mais importantes são: o ambiente menos artificial, foco no entretenimento e o fato de atender às expectativas do consumidor em relação à necessidade de diferenciação e mudanças no estilo de vida. “Temos poucos exemplares de lifestyle center no País. Um deles, o Outlet Premium, em São Paulo, se destaca pelo formato aberto e pelo mix de grifes de luxo”, comenta Felisoni.
Grande parte dos entrevistados acredita que o investimento necessário para planejamento e desenvolvimento de um lifestyle center no Brasil, desde a aquisição do terreno até sua inauguração, é maior do que em um shopping tradicional. Por outro lado, o ganho também tende a ser maior, vide gasto por hora. “O investimento é maior pois o terreno precisa ser maior, e porque este terreno precisa estar em uma área nobre onde o metro quadrado é mais caro”, explica o professor.
Isso os ouvidos parecem já entender. Para eles, os lifestyle centers devem estar localizados em regiões de alto poder aquisitivo, e o mix de lojas deverá ser condizente com o estilo de vida deste público, oferecendo opções de consumo como lojas mais sofisticadas e algumas lojas de departamento de cadeias nacionais, além de serviços, alimentação e entretenimento voltados para o público mais qualificado. “O mercado consumidor brasileiro se sofisticou e há espaço para shoppings diferenciados que unem, num espaço horizontal, opções de lazer e marcas de consumo”, acrescenta Felisoni.
As desvantagens mais significativas apontadas pelos entrevistados são: formato aberto, fraca ancoragem e espaço para construção. Segundo Felisoni, dificuldades que podem ser contornadas, escolhendo-se regiões com baixo índice de chuva e com preço de terreno razoável. Como conclusão, o estudo infere que o modelo é totalmente exequível desde que adaptados às realidades do mercado brasileiro, como clima e renda.
Outras informações sobre o conceito de lifestyle center:

• Criado nos Estados Unidos devido à saturação dos shoppings no formato tradicional.

• A construção é aberta, ao ar livre.

• Volta ao passado, recriando ruas de varejo tradicional e antigos centros urbanos.

• Valorizam o prazer de andar na rua.

• Possui um ambiente mais humano, facilitando a convivência social.

• Muitos são empreendimentos de uso misto (varejo e residencial e/ou corporativo).

• Forte apelo para o entretenimento.

• Podem ser utilizados na revitalização de áreas degradadas.

• Construções horizontais.

• Geralmente localizados próximos a grandes áreas residenciais ou de escritórios.

Texto extraído de http://www.portalnovarejo.com.br/destaque/destaques/shopping-mais-humano