01 julSorocaba se transforma na “cidade dos Shopping Fantasmas”

Por Janaína Ribeiro, da Folha de SP

Shopping-Sorocaba

Corredor de shopping em Sorocaba (SP) – Foto Victor Moriyama – 9.jun.2013/Folhapress

A crise econômica do país está atingindo em cheio o setor de shopping centers e transformando Sorocaba na “cidade dos shoppings fantasmas”.

Nono maior município do Estado e terceiro no total de shopping centers, Sorocaba está vendo o fechamento de centros de compras inteiros.

Com problemas de administração, o Villàgio encerrou suas atividades – não sem antes desligar até o ar-condicionado, irritando os poucos lojistas que continuavam no local.

A última a sair foi a Apleebee’s, em dezembro. A franquia americana tinha na unidade o maior percentual de vendas do bar no Estado, à frente inclusive das unidades da capital. Pouco antes, uma franquia da Nobel fechou sua loja para abrir outra, na rua. Procurado, o proprietário da livraria não quis se manifestar.

Desde 2012, Sorocaba ganhou cinco novos shoppings para uma cidade de 630 mil moradores. Com a crise, estes empreendimentos foram atingidos. Dois dos centros de compras, Plaza Itavuvu e Panorâmico, operam com 70% e 90%, respectivamente, das lojas fechadas.

“É um cenário muito adverso no consumo, há muita incerteza, não há expectativa”, afirmou o presidente do Ibevar (Instituto dos executivos do varejo), Claudio Felisoni. “Neste ano teremos de amargar uma recessão. No próximo, dependeremos do governo”. Segundo pesquisa do instituto, a intenção de compra no varejo é a menor nos últimos 14 anos.

Quando não fecham, em vez de lojas os consumidores estão encontrando tapumes com propagandas nos shoppings do interior paulista que sentem os efeitos da crise.

O Iguatemi de Campinas (a 93km de SP), que há um ano inaugurou uma expansão que o transformou no maior shopping da marca no país, ainda não conseguiu ocupar 28 das 104 novas lojas. No Galleria, outro shopping da rede na cidade, também voltado para a classe alta, uma em cada quatro lojas está vazia – e coberta por um tapume.

O setor atingiu em 2015 o maior número de lojas vazias dos últimos dez anos, segundo a Abrasce (associação de shoppings), e o fluxo de pessoas nos estabelecimentos caiu em sete dos últimos nove meses, segundo o Ibope.

A diretora financeira do Iguatemi, Cristina Betts, diz que há “resiliência de muitas lojas no portfólio” e minimiza os espaços vazios. “Estamos guardando espaço para os lojistas que estão chegando”.

Texto extraído de: http://brasil.blogfolha.uol.com.br/2016/06/27/crise-expoe-sorocaba-como-cidade-dos-shoppings-fantasmas/#_=_