03 setVarejo de vestuário deve crescer mais de 3% em 2012

Escrito por Renata Moreira, do Portal No Varejo

Departamento não especializado em roupas apresenta maior crescimento em cinco anos

Apesar de ter contado com um inverno fraco em vendas, o mercado de vestuário brasileiro deve crescer 3,4% em volume de peças e 7% em reais neste ano, segundo o Estudo de Canais de Varejo, elaborado pela IEMI Inteligência de Mercado em parceria com a Associação Brasileira de Varejo Têxtil (ABVTEX), divulgado nesta quarta-feira, 29.

O tímido crescimento de apenas 1% das vendas no primeiro no semestre deste ano deve ser superado pelo aquecimento das vendas de roupas, no segundo semestre, gerando um “ótimo Natal”, prevê Marcelo Prado, diretor da IEMI. Embora a previsão para 2012 não seja um número expressivo, é maior do que o crescimento do ano passado, que ficou em 2%, causado por um desaquecimento nas vendas no segundo semestre, explica.

De acordo com o estudo, entre 2007 e 2011 o consumo de artigos de vestuário no varejo brasileiro cresceu 24,2% em peças, a maioria desse total  (90,7%) de origem da produção nacional. Esse crescimento do setor de vestuário, assim como ocorre em outros setores da economia, está relacionado ao crescimento da renda do brasileiro que passou a ter mais poder de compra.

Quem mais cresceu

O estudo dividiu os canais de varejo em cinco tipos, possibilitando perceber quem teve o melhor desempenho nos últimos cinco anos. São eles: departamento especializado (grandes redes com foco em moda); redes de pequenas lojas (monomarcas ou multimarcas, franquias, ou lojas próprias), lojas independentes (butiques e lojas de bairro), departamento não especializado (grandes lojas sem foco no vestuário) e hipermercados.

A partir dessa divisão, a pesquisa revelou que entre 2007 e 2011, o departamento não especializado foi o que apresentou maior crescimento em volume de peças (54,5%). De acordo com Prado, isso ocorreu porque se tratam de lojas que não trabalhavam com o setor de vestuário e passaram a abrir espaço para ele, ainda que pequeno e com produtos básicos.

Em seguida, em termos de crescimento em volume, destacaram-se também as lojas de departamento especializado (36%). Elas responderam por 30,1% do total de peças comercializadas em 2011. Muito focadas na mudança do perfil de compra dos consumidores das classes B e C, investiram em marcas próprias e produtos licenciados, mudaram o formato das lojas, passaram a vender não apenas as peças, mas o look completo, um estilo, composto não apenas das roupas, mas também de sapatos e assessórios.

Os hipermercados aparecem em seguida dentre os que cresceram no setor (35,5%), apesar de possuírem uma participação menor no mercado (7,7%). Segundo Marcelo, isso ocorre porque os hipermercados estão seguindo um comportamento trazido das grandes redes internacionais – como Walmart – e investindo na venda de oportunidade, quando o cliente já está disposto a comprar e encontra um produto básico de vestuário, de uso cotidiano como as roupas íntimas e infantis.

Outra razão para isso é que esse canal de varejo percebeu que o vestuário é uma forma de ganhar uma margem maior de lucro que alguns produtos alimentícios e de limpeza, afirma Prado.

Por sua vez, as redes de pequenas lojas cresceram 32,6%, junto com a expansão dos shoppings no País, uma vez que são consideradas por Marcelo Prado os grandes parceiros desses estabelecimentos. A participação delas atualmente é de 16% do mercado de vestuário.

E apesar de apresentarem a maior participação no setor de vestuário do País (37,8%), as lojas independentes especializadas tiveram um crescimento pouco expressivo (7,3%) em relação aos demais canais de varejo. Para Prado, isso demonstra um estrangulamento dessas lojas – geralmente multimarcas – pela chegada das redes maiores que têm se adaptado melhor às mudanças de perfil dos consumidores da classe C.

Texto extraído de http://www.portalnovarejo.com.br/destaque/noticias/especiais/varejo-de-vestuario-deve-crescer-mais-de-3-em-2012