08 janVarejo online cresce no rastro de falhas das lojas físicas

Escrito por Sara Abdo, do DCI

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Com clientes de peso como Google Brasil e o frigorífico JBS, empresas já surgem voltadas a atuar exclusivamente no mercado on-line, e consolidam-se diante das possibilidades oferecidas pelo comércio eletrônico (e-commerce), em detrimento de lojas físicas. Varejistas avaliam que o e-commerce pode suprir necessidades do consumidor, não satisfeito ou suficientemente atendido pelo mercado tradicional.

No ano passado, dados do segmento apontam que esse mercado cresceu 25% sobre 2012, ao atingir faturamento de R$ 31,7 bilhões, ou seja, um montante de R$ 6,9 bilhões a mais do que no ano anterior. Já para 2014, a previsão do setor é de que a área de vendas on-line cresça 27%.

Há, hoje, um universo de 37 mil lojas virtuais no País. Segundo Maurício Salvador, presidente da ABComm (Associação Brasileira do Comércio Eletrônico), em entrevista ao DCI, em 2014 a previsão é de que até o final do ano estejam cadastradas 43 mil lojas on-line. Salvador conta que o cenário do e-commerce no País ainda é muito discrepante, dado que as micro e pequenas empresas representam 99,5% do total de lojas de varejo on-line e são responsáveis por apenas 18% do faturamento total de lojas on-line.

A Itaro.com.br é uma empresa on-line, que atua no mercado de autopeças. “É um e-commerce que em outros países já funciona há muito tempo. No Brasil, o mercado de autopeças não é transparente e o e-commerce pode corrigir essa situação”, assegura Jan Riehle, CEO da empresa, que vende diretamente ao consumidor. O CEO afirma que essa transparência é oferecida em dois níveis: no de preço/produto, no qual estão disponibilizados, em uma tabela, preços de outras lojas do mesmo segmento para comparação; e no de serviço, em que ficam disponíveis os preços da instalação das peças em cada oficina credenciada à Itaro.com.br.

Empresa que vende toda a linha de produtos necessária para a manutenção interna de empresas de segmentos como escritórios, restaurantes e pequenas fábricas, a Gaveteiro iniciou as atividades no início de 2013. Joshua Kempf, CEO da Gaveteiro, conta que a equipe “percebeu que existia um buraco enorme na venda desses produtos, especialmente para pequena e média empresa” – buraco marcado pela falta de transparência de preços e fretes. Alguns clientes da marca são Google Brasil, Junior Alimentos e JBS.

Segundo especialistas, o e-commerce possibilita que determinado negócio cresça muito rápido. Jan Riehle afirma que “antes da ‘Itaro’ tive outros e-commerce e comparado com uma empresa física, é claro que pode crescer muito mais [rápido]”. Com trabalhos iniciados neste ano, a Riehle cresceu 20%.

A Gaveteiro já vê aumento de 15% no faturamento e trabalha para aprimorar duas áreas principais: número de clientes e produtos oferecidos.

Expansão

Para Alexandre Soncini, diretor de vendas e marketing da VTEX, empresa responsável pelo software de lojas on-line, “nos próximos cinco anos [o e-commerce] vai crescer na faixa dos 30%. Ainda é um mercado acima da média de crescimento e vai continuar sendo. Dá pra se fazer muita coisa boa e ainda tem muita gente para entrar, como vendedor e consumidor”. Soncini aponta que o e-commerce é adotado por 50 milhões de pessoas, o correspondente a somente um quarto da população mundial.

No Brasil o comércio tem se reestruturado para acompanhar o boom do e-commerce, cada vez mais presente no País. Além das grandes lojas que já surgiram para atuarem no mercado on-line, como a Submarino e o Mercado Livre, algumas empresas físicas adotaram o e-commerce, por exemplo as Lojas Americanas, Walmart e Marisa. A ideia é não perder público, ampliar as frentes de venda e a clientela.

Novo calendário

O evento denominado Black Friday veio para o Brasil num perfil diferente da versão norte-americana. Lá, as promoções são no mercado tradicional, enquanto no Brasil as promoções atingem o mercado on-line, estritamente. Salvador, da ABComm, acredita que a data “já faz parte do calendário do e-commerce no Brasil e vai crescer ainda mais a cada ano. No terceiro ano de promoções, o faturamento da Black Friday somou R$ 440 milhões e continua sendo aprimorada, com um portfólio cada vez maior de empresas que a ela aderem e lançam promoções reais.” A empresa Itaro.com.br, mesmo sem ter explorado a data, contabilizou um número de vendas maior que numa sexta-feira comum.

Seguindo o ritmo da Black Friday, as vendas de final de ano no e-commerce em 2013 também foram 25% maior que no mesmo período (15/11 a 23/12) do ano passado, totalizando um total de 3,85 bilhões de faturamento.

Dificuldades

Válida desde fevereiro de 2013, “a Lei de Entrega Paulista está sendo muito prejudicial ao comerciante”, afirma Maurício Salvador. Segundo o presidente da entidade, a lei provocou a evasão de lojas, que hoje estão cadastradas fora de São Paulo, onde mantinham seu centro de distribuição.

Varejistas de pequeno e médio portes (99,5% do montante de lojas) não têm condições de ter uma distribuidora própria, de modo que são dependentes dos serviços dos Correios, que não trabalham com um produto que atenda a Lei de Entrega. Nesse sentido, o próprio governo inviabiliza a aplicação da lei.

Blog corporativo

A internet permite uma infinidade de aplicações e a Nunesfarma, distribuidora de produtos farmacêuticos para órgãos públicos, percebeu isso. A empresa, que utilizava um blog corporativo para disseminar informações internas optou por mudar de estratégia: implantou a SocialBase e, hoje, usa a rede como um dos principais canais de informação e troca de ideias. Segundo a Coordenadora de Gestão de Pessoas da empresa, Talita Oliveira, ao contrário do blog, a rede social corporativa permite que qualquer colaborador publique conteúdos e a ferramenta viabilizou o diálogo interno dentro da Nunesfarma.

Texto extraído de: http://www.dci.com.br/servicos/online-cresce-no-rastro-de-falhas-de-loja-fisica-id378597.html#