29 marVeja a evolução das grandes varejistas de moda no ano de 2015

Por Cibelle Bouças, do Valor Econômico

As redes Marisa e Riachuelo perderam participação de mercado em 2015, enquanto C&A, líder do setor, e Renner tiveram ganho. A Pernambucanas manteve sua fatia em relação a 2014.

As redes Marisa e Riachuelo perderam participação de mercado em 2015, enquanto C&A, líder do setor, e Renner tiveram ganho. A Pernambucanas manteve sua fatia em relação a 2014.

Um levantamento realizado pela consultoria Sonne, a pedido do Valor, revelou que entre as maiores varejistas de moda feminina, as redes Marisa e Riachuelo perderam participação de mercado em 2015, enquanto C&A, líder do setor, e Renner tiveram ganho. A Pernambucanas manteve sua fatia em relação a 2014.

Juntas, as cinco companhias responderam por 24,7% do varejo de vestuário feminino no ano passado, equivalente a 0,7 ponto abaixo da participação em 2014.

“O mercado de moda ainda é muito pulverizado. Existe espaço para as grandes redes ocuparem, deixados por empresas menores que estão em dificuldades. Mas, por enquanto, elas ainda não conseguiram fazer isso”, disse Maximiliano Bavaresco, sócio-fundador da Sonne. A médio prazo, segundo o analista, mantém-se a expectativa de que empresas com marcas tradicionais e caixa fortalecido ganhem a participação de mercado que concorrentes de pequeno e médio porte perderem.

Mesmo entre as maiores empresas do setor, o desempenho foi diversificado em 2015, com alguns grupos mais influenciados pelo aprofundamento da recessão econômica, que afetou o consumo de bens não duráveis, como alimentos, calçados e vestuário.

A Renner apresentou melhor desempenho, com ganho de participação de mercado de 0,6 ponto percentual, chegando a 5,8%. Laurence Gomes, diretor financeiro e de relações com investidores da Renner, disse que o ganho está relacionado ao acerto de coleções e a iniciativas para melhorar a competitividade da companhia. As mudanças incluíram reforma de lojas e melhorias na logística e no sistema de pagamentos, para tornar o atendimento mais rápido.

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A Marisa foi a que mais perdeu espaço em 2015, chegando a 4,7% de participação de mercado – o pior resultado da década -, com perda de 1,3 ponto percentual. Para o analista, a empresa sofreu mais pela sua maior exposição junto aos consumidores de baixa renda – os mais impactados pela crise. Outro fator que contribuiu para uma deterioração no resultado foi a distribuição das lojas. Metade das unidades fica fora de shopping centers. Nas ruas, as lojas sofrem mais de perto a competição com o varejo informal.

A Pernambucanas manteve a participação estável em 2,4%. A companhia se esforçou em 2015 para ampliar as vendas na área de moda e reduzir a participação em produtos de cama, mesa e banho, e eletrodomésticos. Na opinião de Bavaresco, a participação maior dessas linhas na operação da Pernambucanas contribuiu para um resultado mais fraco em comparação às outras concorrentees, que são bastante concentradas em vestuário e acessórios.

De acordo com a pesquisa, o varejo de vestuário feminino movimentou R$42,38 bilhões no ano passado, alta de 1,8% e comparação a 2014. Em volume, houve queda no número de peças de 0,4% para 1,17 bilhão de unidades. Para o período de 2016 a 2020, a projeção é de que o segmento tenha crescimento médio de 6% ao ano, chegando ao fim da década com um volume de vendas de 1,27 bilhão de peças e receita de vendas de R$56,18 bilhões.

O analista estima que nos próximos anos a Renner e a Riachuelo terão mais condições de ganhar participação de mercado, considerando a taxa média de crescimento das vendas no período de 2011 a 2015. A Renner apresentou um crescimento médio anual de 7,2% e a Riachuelo, de 5,7%. A C&A apresentou um incremento médio anual de 0,4%. A Pernambucanas, por sua vez, registrou, na média, uma queda anual em vendas de 1%. A Marisa teve o pior desempenho, com queda de 2,5% ao ano nas vendas,  em média.

Texto extraído de: http://www.valor.com.br/empresas/4499532/no-varejo-de-moda-quem-perde-e-quem-ganha