04 novVestCasa mira em cidades pequenas e bairros populares para expansão

Escrito por Geovana Pagel, da IstoÉ Dinheiro

vestcasa

O empresário paulista Ahmad Yassin, 32 anos, herdou o nome e a habilidade de negociar do avô libanês, um ex-mascate que, em 1940, fundou a fábrica Irmãos Yassin de produtos de cama, mesa e banho no bairro de Santana, em São Paulo. A indústria, que sempre atendeu grandes redes varejistas como Pernambucanas e Riachuelo, acompanhou as transformações econômicas do País ao longo das últimas décadas. Em meio à crise de 2008, a segunda geração da família no comando da empresa concluiu que estava na hora de diversificar os negócios e apostar no varejo popular.

Assim surgiu a VestCasa, cuja objetivo é chegar a 400 lojas e quadruplicar o faturamento atual, de R$ 100 milhões, até 2015. Será preciso acelerar bastante para atingir essa meta. A VestCasa conta com 120 unidades em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. A quase totalidade desses pontos são franquias – a companhia conta com apenas dez lojas próprias. A receita para mais do que triplicar de tamanho em pouco tempo foi aprendida por Ahmad, o presidente da empresa, e seu irmão Mohamad, diretor financeiro, com seu avô. Eles passaram a mascatear em bairros populares e cidades pequenas, que normalmente não estão no foco dos grandes magazines.
“Como o público-alvo da VestCasa são os consumidores de renda mais baixa, faz todo o sentido ir para a perifeira e cidades pequenas”, afirma Renato Meirelles, diretor do Instituto Data Popular. “Quanto mais distante dos grandes centros, mais funciona a divulgação boca a boca.” Um exemplo é a cidade mineira Boa Esperança, onde vivem pouco mais de 38 mil habitantes, que conta com uma loja da VestCasa. “Nossa ideia desde sempre foi estar próximo do consumidor”, afirma Ahmad. “Nesses locais, nossas lojas são uma atração e muitas vezes conseguimos chegar perto da casa do nosso cliente.” Os irmãos Yassin também usam de táticas para deixar a clientela mais à vontade na loja.

“Eles podem abrir as embalagens, sentir o tecido, a textura”, diz Ahmad. Detalhista, ele gosta de conferir tudo de perto. Uma vez por mês, passa uma semana na fábrica instalada em Ibitinga, a 350 quilômetros da capital paulista. Pelo menos três vezes por ano, o empresário viaja para a China para supervisionar a produção local da matéria-prima de seus produtos. Apesar de ser terceirizado, ele mantém cinco funcionários em território chinês para acompanhar de perto o trabalho. Outro ponto que mostra o seu controle sobre todas as etapas de sua cadeia produtiva é o fato de ter criado um sistema próprio de logística, com dez caminhões.

“Isso gera agilidade e pontualidade”, diz Ahmad. De acordo com Andréa Russo, diretora de marketing e projetos do Grupo Troiano de Branding, a VestCasa tem feito uma boa estratégia de crescimento, seguindo a tendência de outros varejistas no Brasil, que também apostam na descentralização – não da gestão, que fique claro. “Os problemas crônicos de mobilidade urbana, somados ao maior poder de consumo das classes C e D, fazem com que as empresas olhem para as periferias e centros comerciais menores com outros olhos”, diz Andréa.

infográfico vestcasa
Texto extraído de:http://www.istoedinheiro.com.br/noticias/133159_O+MASCATE+DO+VAREJO